Unidade 4 · Lição

Radiocomunicações: CRO e GMDSS

As radiocomunicações pedem pelo menos 60 %. Na Carta de Marinheiro aprendeste a pedir socorro; aqui vais ao nível do certificado restrito de operador: o que o alerta DSC leva, o que fazes quando o socorro é de outro, o MAYDAY RELAY, o silêncio no canal 16, a urgência médica e como cancelar um falso alerta. O programa oficial (Portaria n.º 288/2000, item A14) inclui as matérias do exame desse certificado, e o DL n.º 93/2018 diz que a carta de patrão local te habilita a operar o equipamento de radiocomunicações do GMDSS.

Decide · Quatro situações no mar. Primeiro decides, depois lês porquê.

Mão a pegar no microfone de um VHF fixo, com o mar e um veleiro ao longe
Fotografia gerada com uma ferramenta de imagem (ChatGPT)

O teu VHF dá o alarme: alerta de socorro DSC de um veleiro a 3 milhas. O que fazes primeiro?

O essencial

  1. GMDSS, áreas e MMSIAs áreas A1 a A4 definem-se pela cobertura declarada; o MMSI de nove algarismos é a identidade do teu rádio.
    1. A1: cobertura VHF com DSC contínuo; A2: MF; A3: satélite reconhecido; A4: o resto.
    2. Navio MIDXXXXXX; grupo 0MIDXXXXX; estação costeira 00MIDXXXX.
    3. Canais: 70 só DSC; 16 socorro e chamada; 13 entre pontes; 6 SAR no local.
    Fundamentos do GMDSS
  2. Alerta DSC e MAYDAYO DSC leva MMSI, posição, hora e natureza; a voz no canal 16 diz que ajuda é precisa, logo a seguir.
    1. Quem confirma o alerta DSC é a estação costeira; não esperes por ela para falar.
    2. MAYDAY ×3, THIS IS nome ×3, MAYDAY e nome, posição, natureza, ajuda, pessoas, OVER.
    3. Uma posição antiga engana: a 8 nós, 45 minutos são 6 milhas.
    VHF e DSC
  3. O socorro de outroEscuta cinco minutos, confirma em voz se podes ajudar e retransmite só quando o socorro não chegou a terra.
    1. Confirmação: MAYDAY, nome do sinistrado, THIS IS, o teu nome, RECEIVED MAYDAY.
    2. MAYDAY RELAY em voz; retransmissão DSC só a pedido da estação costeira ou do RCC.
    3. SEELONCE MAYDAY: silêncio. SEELONCE FEENEE: o socorro terminou.
    Procedimentos de socorro
  4. Urgência, rotina e falsos alertasSocorro, urgência, segurança, rotina: por esta ordem. Um falso alerta cancela-se logo, em voz.
    1. Caso médico: TMAS pela estação costeira ou pelo RCC, com PAN-PAN quando é muito urgente.
    2. Rotina: chamada DSC individual com canal de trabalho, ou chama no 16 e muda logo.
    3. Cancelamento: ALL STATIONS ×3, THIS IS, nome, indicativo, MMSI, posição, PLEASE CANCEL MY DISTRESS ALERT OF e a hora UTC.
    Simulador de rádio
  5. Soletrar e algarismosSoletra com o alfabeto do Apêndice 14 e diz os números algarismo a algarismo.
    1. GAIVOTA: GOLF ALFA INDIA VICTOR OSCAR TANGO ALFA.
    2. SMCP: ZEERO, WUN, TOO, TREE, FOWER, FIFE, SIX, SEVEN, AIT, NINER.
    3. ROGER: recebi; WILCO: vou cumprir; OVER: espero resposta; OUT: terminei.
    Inglês marítimo e alfabeto fonético
  6. EPIRB, SART e NAVTEXA EPIRB alerta por satélite, o SART mostra-te no radar de quem procura e o NAVTEX traz-te os avisos.
    1. EPIRB de 406 MHz: alerta digital ao Cospas-Sarsat; 121,5 MHz para a localização final.
    2. SART: linha de 12 pontos no radar de banda X; monta-o tão alto quanto possível.
    3. NAVTEX: 518 kHz, em inglês; só recebe.
    SART e VHF portátil

Verifica o que leste

Pergunta 1/3

Qual é a ideia central do GMDSS?

Para saber mais

Explicação completa e lições

O GMDSS, as áreas marítimas e a tua identidade rádio

Na Carta de Marinheiro aprendeste o canal 16, o canal 70 e as três palavras. Agora vais ao nível do **certificado restrito de operador** (CRO, em inglês SRC ou ROC): o operador que trabalha com o equipamento GMDSS em VHF. O programa do curso de Patrão Local (Portaria n.º 288/2000, item A14) inclui as matérias desse exame, o DL n.º 93/2018 diz que a carta de patrão local habilita o titular a operar o equipamento de radiocomunicações do GMDSS, e o exame da carta pede pelo menos 60 % nelas.

O **GMDSS** (Sistema Mundial de Socorro e Segurança Marítima) pensa em funções, não em aparelhos: enviar um alerta de socorro para terra, receber alertas, comunicar no local do acidente, ser localizado, receber informação de segurança marítima (MSI) e trocar chamadas de urgência e segurança. Um VHF com DSC faz várias destas tarefas; a EPIRB e o SART fazem outras.

As **áreas marítimas** definem-se pelo serviço que um governo declara, não por uma distância. **A1**: dentro da cobertura de pelo menos uma estação costeira VHF com escuta DSC contínua. **A2**: fora da A1, dentro da cobertura de uma estação costeira MF com DSC. **A3**: fora da A1 e da A2, dentro da cobertura de um serviço móvel por satélite reconhecido. **A4**: tudo o resto. Valores como «cerca de 30 milhas» para a A1 são só típicos.

O **MMSI** tem nove algarismos e é a identidade do teu rádio no DSC e no AIS (UIT-R M.585). Uma estação de navio tem a forma MIDXXXXXX, em que os três primeiros algarismos (o MID) identificam o país. Um grupo de navios tem a forma 0MIDXXXXX e uma estação costeira 00MIDXXXX. Se o MMSI estiver mal programado, o teu alerta pode ser atribuído a outra embarcação.

O alcance VHF depende sobretudo da altura das antenas: d (milhas) ≈ 2,2 × (√h₁ + √h₂), com as alturas em metros. Uma antena a 4 m e uma estação costeira a 100 m dão 2,2 × (2 + 10) ≈ 26 milhas. Mais potência quase não muda isto; a tecla HI/LO alterna normalmente entre 25 W e 1 W.

  • Canal 70: só dados DSC. Canal 16: socorro, segurança e chamada em voz. Canal 13: entre pontes. Canal 6: entre navios e SAR no local.
  • A1 a A4 definem-se pela cobertura declarada, não por milhas.
  • MMSI de navio MIDXXXXXX; grupo 0MIDXXXXX; estação costeira 00MIDXXXX.
  • EPIRB de 406 MHz: alerta digital ao Cospas-Sarsat, com 121,5 MHz para a localização final. SART radar: linha de 12 pontos no radar de banda X de quem procura. NAVTEX: recetor de MSI em 518 kHz, em inglês; não transmite.

O alerta DSC e a mensagem MAYDAY

O alerta de socorro DSC sai no canal 70 com o teu **MMSI**, a **posição** e a **hora UTC** a que essa posição era válida e, se a escolheres, a **natureza do socorro**: incêndio ou explosão, alagamento, abalroamento, encalhe, adornamento, afundamento, sem governo e à deriva, abandono, pirataria, homem ao mar (nos rádios que o têm) ou não designado. Sem tempo, envia-o como não designado: o pormenor vai na voz.

Levanta a tampa e mantém carregado o botão DISTRESS até o alerta sair. Quem confirma o teu alerta é a **estação costeira** (ou o RCC), não os navios à volta. Sem confirmação, a maioria dos rádios repete o alerta sozinha de poucos em poucos minutos. Não esperes por ela: passa logo para o canal 16 e faz a chamada e a mensagem em voz.

Cuidado com a posição. Se o GPS não está ligado ao rádio, o alerta leva a última posição introduzida à mão. A 8 nós, uma posição de há 45 minutos pode estar 6 milhas ao lado. Não atrases o alerta para a corrigir: envia-o e dá a posição certa em voz, com a hora.

A chamada e a mensagem dizem-se assim: **MAYDAY MAYDAY MAYDAY**; **THIS IS** (aqui) e o nome ×3, o indicativo de chamada e o MMSI; **MAYDAY** e o nome, o indicativo e o MMSI; a **posição** (e a hora, se não for atual); a **natureza do socorro**; a **ajuda pedida**; o **número de pessoas** e outras informações úteis (abandono, jangada, cor do casco); **OVER**. Fala devagar e diz os números algarismo a algarismo.

  • O alerta DSC leva MMSI, posição, hora e natureza; a voz acrescenta a ajuda pedida, as pessoas e o resto.
  • A estação costeira confirma o alerta DSC; tu não esperas por isso para falar.
  • Ordem da mensagem: MAYDAY ×3, THIS IS nome ×3 com indicativo e MMSI, MAYDAY e nome, posição, natureza, ajuda, pessoas e informações, OVER.

O socorro de outra embarcação: escutar, confirmar, retransmitir e calar

Se o teu rádio dá o alarme de um alerta de socorro DSC de outra embarcação em VHF, **não confirmes por DSC**: isso é tarefa da estação costeira. Anota o MMSI, a posição, a hora e a natureza, e escuta no canal 16 durante cerca de **cinco minutos**, para dar tempo a terra de responder. Se podes ajudar, confirma em voz e segue as instruções da estação costeira ou do RCC.

A confirmação em voz tem esta forma: **MAYDAY**, o nome do sinistrado com o indicativo ou o MMSI, **THIS IS**, o teu nome e indicativo, **RECEIVED MAYDAY**. Depois dás a tua posição e a hora a que podes chegar, se te pedirem.

**MAYDAY RELAY** serve para retransmitir o socorro de outra embarcação: quando ela não consegue alertar, quando o seu socorro não chegou a terra (ninguém confirmou) ou quando o comandante acha que é precisa mais ajuda. Não quer dizer «estou em perigo». A forma é: MAYDAY RELAY ×3; o nome da estação costeira ×3 (ou ALL STATIONS); THIS IS e o teu nome ×3, indicativo e MMSI; FOLLOWING RECEIVED FROM e o nome do sinistrado, à hora UTC; MAYDAY e o nome do sinistrado, a posição, a natureza e as pessoas; OVER. Uma retransmissão por **DSC** só se envia se uma estação costeira ou um RCC a pedir.

Durante o socorro, só transmite no canal quem faz parte dele. A estação que controla o socorro pode impor **SEELONCE MAYDAY** (silêncio) a quem interfere; o fim do tráfego de socorro anuncia-se com **SEELONCE FEENEE**, e só então se retoma o trabalho normal. Livros e bancos de perguntas antigos citam ainda SEELONCE DISTRESS e **PRUDONCE**: o Regulamento das Radiocomunicações suprimiu-os na CMR-23, por isso não os uses.

  • Alerta DSC recebido em VHF: não confirmes por DSC; escuta cinco minutos no canal 16.
  • Confirmação em voz: MAYDAY, nome do sinistrado, THIS IS, o teu nome, RECEIVED MAYDAY.
  • MAYDAY RELAY: retransmites o socorro de outro, identificando-o a ele e a ti.
  • SEELONCE MAYDAY: silêncio imposto. SEELONCE FEENEE: o socorro terminou.

Urgência, segurança, rotina, falsos alertas e soletrar

A ordem de prioridade é **socorro, urgência, segurança, rotina**. Uma chamada de rotina cede sempre: se começa tráfego de socorro no canal, paras de transmitir. A urgência (PAN-PAN) e a segurança (SÉCURITÉ) podem anunciar-se primeiro por DSC: chamada a todos os navios ou individual, categoria urgência ou segurança, telefonia, e o canal da mensagem; depois dizes a mensagem em voz nesse canal. Uma mensagem de segurança longa vai para um canal de trabalho, não para o 16.

Num caso médico, pede aconselhamento ao **TMAS** (serviço de assistência telemédica marítima) através da estação costeira ou do RCC, com prioridade de urgência quando o caso é muito urgente; passa a socorro só se uma vida estiver em perigo grave e iminente. **MAY-DEE-CAL**, depois do sinal de urgência, não é para pedir um médico: anuncia um transporte sanitário protegido pelas Convenções de Genebra.

Para uma chamada de **rotina**, usa uma chamada DSC individual de rotina para o MMSI do outro, propondo um canal de trabalho, ou chama em voz no 16 e muda logo de canal: «ALTAIR, THIS IS BOREAL… CHANGE TO VHF CHANNEL 72». Mantém escuta no canal 16 sempre que praticável.

**Falso alerta**: usa o autocancelamento DSC, se o rádio o tiver, e depois, no canal 16: ALL STATIONS ×3, THIS IS, o nome ×3, o indicativo, o MMSI, a posição e PLEASE CANCEL MY DISTRESS ALERT OF, com a data e a hora UTC. Fica à escuta para responder a perguntas. Desligar o rádio não cancela nada. Se for a **EPIRB** a disparar por engano, desliga-a e informa o RCC ou a estação costeira mais próxima.

Para soletrar, usa o alfabeto fonético do Apêndice 14 (ALFA, BRAVO, CHARLIE…). Os algarismos dizem-se um a um; as SMCP pronunciam-nos ZEERO, WUN, TOO, TREE, FOWER, FIFE, SIX, SEVEN, AIT, NINER. O Apêndice 14 tem também um código de algarismos (NADAZERO, UNAONE, BISSOTWO, TERRATHREE…), hoje raro, mas ainda perguntado.

  • Prioridade: socorro, urgência, segurança, rotina.
  • ROGER: recebi. WILCO: compreendi e vou cumprir. OVER: espero resposta. OUT: terminei.
  • Falso alerta: autocancelamento DSC, se houver, e cancelamento em voz no canal 16 com identidade, posição e hora UTC.
  • Nunca carregues no DISTRESS «para testar»: usa as funções de teste do rádio ou o simulador.

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