Unidade 3 · Lição

Marés, fundear e tempo

A navegação também pede pelo menos 75 %. Aqui lês a Tabela de Marés do Instituto Hidrográfico, calculas a água que tens, escolhes onde fundear e decides se o tempo te deixa sair.

Decide · Quatro situações no mar. Primeiro decides, depois lês porquê.

Margem do Tejo em Lisboa na baixa-mar, com barcos pousados no lodo e a ponte ao fundo
Fotografia gerada com uma ferramenta de imagem (ChatGPT)

Em agosto, a tabela de Lisboa dá uma baixa-mar às 10:25. A que horas é, na hora legal?

O essencial

  1. A Tabela de MarésHoras em UTC; alturas acima do zero hidrográfico; profundidade = sonda + altura.
    1. No verão, no continente, soma uma hora.
    2. Marés vivas perto da lua nova e cheia.
    3. Baixas pressões e vento do mar fazem subir a água.
    Ler uma tabela de marés portuguesa
  2. Âncoras e amarraAmarra calculada com a profundidade na preia-mar mais a altura da proa.
    1. Regra prática abrigada: 4 vezes só corrente, 7 vezes com cabo.
    2. Chicote da amarra seguro a bordo antes de largar.
    Calculadora de fundeio
  3. Escolher e fundearAbrigo, fundo de areia ou lodo, água na baixa-mar, espaço para rodar e nenhuma proibição.
    1. Larga o ferro quando a embarcação cai para trás.
    2. Unha-o com marcha atrás suave e confirma com um enfiamento.
    3. Respeita as cartas, os editais e os avisos (DL 93/2018, art. 30.º).
    Manobras de fundeio
  4. Tempo e BeaufortConsulta a previsão para todo o tempo que vais estar no mar.
    1. Força 4: 11 a 16 nós; força 5: 17 a 21 nós.
    2. O vento nomeia-se pela direção de onde vem.
    3. Vento contra corrente levanta mar curto nas barras.
    Escala de Beaufort

Verifica o que leste

Pergunta 1/3

Em que fuso horário estão as horas da Tabela de Marés do Instituto Hidrográfico para Lisboa?

Para saber mais

Explicação completa e lições

A Tabela de Marés

O Instituto Hidrográfico publica todos os anos a Tabela de Marés. O Volume I tem os portos do continente, dos Açores e da Madeira. Para cada dia dá as horas e as alturas das preia-mares (PM) e das baixa-mares (BM).

As horas estão em UTC: o cabeçalho diz «Horas do Fuso: 0 (TU)». No continente e na Madeira, no inverno a hora legal é UTC e no verão é UTC+1, por isso no verão somas uma hora. Os Açores estão uma hora atrás do continente.

As alturas são metros acima do zero hidrográfico (ZH), o mesmo nível das sondas das cartas portuguesas. A profundidade é a sonda da carta mais a altura de maré. Sobre um banco que descobre, é a altura de maré menos a sonda a descobrir (o número sublinhado na carta).

  • Preia-mar (PM): água mais alta; baixa-mar (BM): água mais baixa.
  • Marés vivas perto da lua nova e da lua cheia; marés mortas perto dos quartos.
  • Baixas pressões e vento do mar para terra fazem subir a água; altas pressões e vento de terra fazem-na descer.

Quanta água tens debaixo da quilha

Precisas de mais água do que o teu calado, com uma margem de segurança para a ondulação e os erros da previsão. Com ondulação, numa barra ou em fundo de pedra, deixa muito mais margem.

Se na baixa-mar não há água suficiente, passa perto da preia-mar e planeia o regresso antes de a maré descer demasiado. Calcular a altura exata a uma hora qualquer é matéria do curso de Patrão Local.

Nas barras portuguesas, a ondulação pode tornar a passagem perigosa com qualquer maré. Antes de sair, consulta o estado das barras publicado pela Autoridade Marítima Nacional: aberta, condicionada ou fechada.

Âncoras, amarra e escolha do fundeadouro

Escolhe abrigo do vento e da ondulação previstos, não só dos de agora. Na costa oeste, no verão, sopra a nortada de norte ou noroeste e a ondulação do Atlântico vem geralmente de noroeste: as baías viradas a sul, atrás de um cabo, dão o melhor abrigo.

A carta indica a natureza do fundo. Areia e lodo seguram bem; pedra, cascalho e algas seguram mal e podem prender o ferro. Evita as pradarias marinhas.

Confirma a profundidade na baixa-mar, para não ficares em seco quando rodas, e calcula a amarra com a profundidade na preia-mar mais a altura da proa. Num fundeadouro abrigado, a regra prática comum é 4 vezes essa distância só com corrente e 7 vezes com corrente e cabo; com mais vento, larga mais.

  • Não fundeies em canais, sobre cabos submarinos, nos 300 m reservados aos banhistas nem onde um edital o proíba.
  • Fundeia com respeito pelas cartas oficiais, pelos editais da Capitania e pelos avisos (DL 93/2018, art. 30.º).
  • Aproxima-te devagar, aproado ao vento ou à corrente; larga o ferro quando a embarcação começa a cair para trás; unha-o com marcha atrás suave e confirma com um enfiamento em terra.
  • De dia, a embarcação fundeada mostra um balão preto à proa (regra 30); abaixo de 7 m está dispensada se não estiver num canal, num fundeadouro ou onde outras embarcações costumam navegar, nem perto deles.

Meteorologia e escala de Beaufort

Antes de sair, consulta a previsão para a tua zona e para todo o tempo que vais estar no mar. A escala de Beaufort vai de força 0 (calma) a 12: força 4 são 11 a 16 nós, força 5 são 17 a 21 nós, força 6 são 22 a 27 nós.

A lei portuguesa define águas abrigadas com vento até força 4 e altura significativa das ondas até 0,3 m. A Carta de Marinheiro é para navegação diurna perto da costa: o vento previsto, as rajadas e a ondulação decidem se sais e para onde.

  • Vento nomeia-se pela direção de onde vem: vento norte sopra de norte.
  • Vento contra corrente levanta mar curto e cavado, sobretudo nas barras.

Lições deste bloco

A6 Generalidades sobre marés, correntes e ventos; consultar uma tabela de marés
A7 Generalidades sobre âncoras e amarras; sua manobra