Unidade 2 · Lição

RIEAM e balizagem

O RIEAM é a área com nota mínima de 75 %. Aqui aprendes a ver o risco de abalroamento, a saber quem se desvia e como, e a ler as boias de um canal português, na Região A da IALA.

Decide · Quatro situações no mar. Primeiro decides, depois lês porquê.

Do posto de governo, outra lancha a cruzar pela amura de estibordo
Fotografia gerada com uma ferramenta de imagem (ChatGPT)

Uma lancha aproxima-se pelo teu estibordo, a cerca de 45° da proa. Dois minutos depois está no mesmo ângulo e mais perto. O que fazes?

O essencial

  1. Risco de abalroamentoSe a marcação não muda e a distância diminui, há risco: age cedo e de forma clara.
    1. Vigia sempre, com a vista e o ouvido (regra 5).
    2. Velocidade de segurança adequada às circunstâncias (regra 6).
    3. Na dúvida, considera que há risco (regra 7).
    RIEAM: regra 7
  2. Quem se desviaCruzamento a motor: quem tem a outra por estibordo desvia-se; alcançar: quem alcança desvia-se.
    1. A rumos opostos, ambas guinam para estibordo.
    2. A motor desvias-te de quem vai à vela.
    3. Quem mantém o rumo pode manobrar se a outra não agir (regra 17).
    RIEAM: regra 15
  3. Balizagem na Região AA entrar vindo do mar: encarnado a bombordo, verde a estibordo.
    1. Cardinal: os cones dizem onde está a água segura.
    2. Perigo isolado: duas esferas pretas.
    3. Águas safas: riscas verticais encarnadas e brancas.
    Balizagem IALA
  4. Governo e manobraA baixa velocidade o leme só governa com água a passar por ele.
    1. Hélice dextrógiro a dar atrás: a popa vai para bombordo.
    2. Em marcha a vante, a embarcação roda à volta de um ponto perto da proa.
    Hélice, leme, vento e corrente

Verifica o que leste

Pergunta 1/3

Segundo a regra 5, como se mantém a vigia?

Para saber mais

Explicação completa e lições

Ver cedo, decidir cedo (regras 5 a 8)

No exame precisas de pelo menos 75 % de respostas certas nas questões de RIEAM, a nota mínima mais alta, a par da navegação. A boa notícia é que a lógica é sempre a mesma: ver, perceber, decidir, manobrar cedo.

A **vigia** (regra 5) faz-se em permanência, por vista e por ouvido e por todos os meios disponíveis adequados às circunstâncias. A **velocidade de segurança** (regra 6) é a que te deixa tempo para manobrar ou parar: depende da visibilidade, do tráfego, da tua capacidade de manobra, do vento, do mar e do fundo.

O **risco de abalroamento** (regra 7) avalia-se pela **marcação**: se a marcação da outra embarcação não muda de forma apreciável e a distância diminui, há risco. Em caso de dúvida, considera que o risco existe.

  • Marcação constante e distância a diminuir: risco de abalroamento, mesmo ao longe.
  • Uma só observação não chega: toma a marcação várias vezes, com alguns minutos de intervalo.
  • Perto de um navio muito grande, de um reboque ou de outra embarcação a curta distância, o risco pode existir mesmo com a marcação a mudar.

Quem se desvia e como (regras 9 e 12 a 18)

A manobra para evitar o abalroamento (regra 8) deve ser **franca, feita com tempo e suficientemente grande** para a outra embarcação a ver. Evita uma sucessão de pequenas alterações. Se houver espaço, muitas vezes basta mudar de rumo; depois confirma que passaste e ficaste safo.

Entre duas embarcações de **propulsão mecânica**: a **rumos opostos ou quase opostos** (roda a roda, regra 14), ambas guinam para **estibordo** e passam bombordo com bombordo. **Cruzamento** (regra 15): quem vê a outra pelo seu **estibordo** desvia-se e evita cortar-lhe a proa. **Alcançar** (regra 13): quem alcança desvia-se, seja qual for o tipo de embarcação, mesmo à vela. Estás a alcançar quando te aproximas a mais de 22,5° para ré do través da outra. Em dúvida, considera que estás a alcançar.

Entre dois **navios à vela** (regra 12): ventos de bordos diferentes, desvia-se o que tem o vento por bombordo; mesmo bordo, desvia-se o que está a barlavento. Em geral, a motor desvias-te de um navio à vela (regra 18), e em canais estreitos uma embarcação com menos de 20 m ou à vela não deve estorvar quem só pode navegar dentro do canal (regra 9).

Quem **tem de se desviar** (regra 16) age cedo e com clareza. Quem **mantém** (regra 17) segue com rumo e velocidade. Se for evidente que a outra não se desvia, pode manobrar; e, se o abalroamento já não puder ser evitado só pela manobra da outra, deve manobrar.

  • Rumos opostos (roda a roda): ambas para estibordo.
  • Cruzamento: desvia-se quem tem a outra por estibordo.
  • Alcançar: desvia-se quem alcança.
  • Dois navios à vela: bombordo desvia-se; mesmo bordo, barlavento desvia-se.

Luzes, marcas e sinais sonoros

O exame é diurno, mas o RIEAM também pede que reconheças as luzes. Uma embarcação de propulsão mecânica em marcha mostra luz de topo branca, luz de borda encarnada a bombordo e verde a estibordo e luz de popa branca (regra 23). Se vires a luz **encarnada** de outra embarcação, estás do lado de **bombordo** dela: ela tem-te por bombordo e, num cruzamento, és tu quem se desvia. Uma embarcação a motor com menos de 12 m pode mostrar só uma luz branca visível em todo o horizonte, com as luzes de borda.

De dia, **fundeado** mostra-se uma **bola preta** à proa. Um navio à vela que usa motor mostra um **cone preto com o vértice para baixo**. Uma embarcação sem governo mostra **duas bolas pretas** em linha vertical.

Quando as embarcações se veem, os sinais de manobra são: **1 apito curto** = estou a guinar para **estibordo**; **2** = estou a guinar para **bombordo**; **3** = propulsão a ré; **5 ou mais curtos e rápidos** = não percebo as tuas intenções ou duvido que estejas a fazer o suficiente.

  • Luz encarnada à tua frente: vês o bordo de bombordo dela e, num cruzamento, desvias-te tu.
  • Bola preta: fundeado. Cone com o vértice para baixo: navio à vela com motor ligado.
  • 5 ou mais apitos curtos e rápidos: dúvida.

Balizamento IALA Região A e manobra básica

Em Portugal usa-se a **Região A**. Ao entrar num porto ou rio, vindo do mar, o **encarnado fica a bombordo** (cilíndrica, topo cilíndrico) e o **verde a estibordo** (cónica, topo cónico).

As **marcas cardeais** dizem de que lado está a água navegável. Norte: topo com dois cones para cima, preta em cima e amarela em baixo. Sul: dois cones para baixo, amarela em cima e preta em baixo. Este: dois cones base com base, preta com uma faixa amarela. Oeste: dois cones vértice com vértice, amarela com uma faixa preta. Passa a norte da cardeal norte, a sul da sul, a este da este e a oeste da oeste.

**Perigo isolado**: preta com faixas horizontais encarnadas e duas esferas pretas. **Águas safas**: riscas verticais encarnadas e brancas, com uma esfera encarnada, marcam o meio de um canal. **Especial**: amarela, com um X amarelo, não serve para navegação principal. **Naufrágio recente (emergência)**: riscas verticais azuis e amarelas.

Na manobra, a baixa velocidade o leme só governa com água a passar por ele. Um hélice dextrógiro empurra a popa para **bombordo** a ré (**efeito evolutivo**). Com seguimento avante, o **ponto de pivô** fica a cerca de um terço do comprimento a partir da proa. Confirma sempre a folga à proa e à popa.

  • Região A, a entrar: encarnado a bombordo, verde a estibordo.
  • Cardeais: o nome diz o lado seguro.
  • Dextrógiro a ré: popa para bombordo.

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