Decide · Quatro situações no mar. Primeiro decides, depois lês porquê.

A BM é às 10:25 e a PM às 16:54 (UTC). Vais usar a regra dos duodécimos. Quanto dura cada hora de maré?
O essencial
- A tabela, para fazer contasHoras em UTC; alturas acima do zero hidrográfico; amplitude = PM − BM; duração = da BM à PM.
- Calcula em UTC e converte para hora legal só no fim (no verão, +1 h).
- Profundidade = sonda + altura; sobre um banco que descobre, altura − sonda a descobrir.
- Marés vivas perto da lua nova e cheia; mortas perto dos quartos.
- A sonda à hora: o Anexo ADuração, amplitude e intervalo desde a BM: a tabela dá a correção que somas à altura da BM.
- Exemplo do §109: entras com os valores mais próximos da tabela (06:30, 02:23, 2,5 m) e lês 0,74 m; 0,8 + 0,74 = 1,54 m, cerca de 1,5 m.
- Ao contrário, dá a hora a que a maré chega a uma altura.
- Supõe uma maré sinusoidal: é uma estimativa.
- Regra dos duodécimos1, 2, 3, 3, 2, 1 duodécimos da amplitude, em seis horas de maré iguais (duração ÷ 6, por aproximação).
- Ao fim de 3 horas de maré, metade da amplitude.
- A água sobe mais depressa na 3.ª e na 4.ª horas.
- É uma aproximação: no exemplo do §109 dá cerca de 1,6 m contra 1,54 m (≈ 1,5 m) da tabela.
- Folga, barras e tempoAltura mínima = calado + margem − sonda (ou + sonda a descobrir).
- Com ondulação, numa barra, aumenta bastante a margem.
- 10 hPa mexem o nível cerca de 0,09 m: pressão baixa sobe a água, alta desce-a.
- Vento do mar para terra acumula água; vento de terra baixa o nível.
- Consulta o estado das barras da AMN: aberta, condicionada ou fechada.
- Correntes nos estuáriosA enchente entra, a vazante sai; o estofo fica perto da inversão, que nem sempre coincide com a PM ou a BM.
- Marés vivas trazem geralmente correntes mais fortes.
- Vazante contra a ondulação ou o vento: mar curto e rebentado na barra.
- A força e a hora da corrente vêm da carta, do roteiro e das publicações do local.
Verifica o que leste
Em que fuso estão as horas da Tabela de Marés do Instituto Hidrográfico?
Para saber mais
Explicação completa e lições
A tabela, agora para fazer contas
Na Carta de Marinheiro aprendeste a ler a Tabela de Marés do Instituto Hidrográfico. Agora vais usá-la para calcular. As horas estão em UTC («Horas do Fuso: 0 (TU)») e, no continente, no verão, a hora legal é UTC+1. Faz todas as contas no fuso da tabela e converte só no fim, uma vez.
As alturas são metros acima do zero hidrográfico (ZH), o mesmo zero das sondas das cartas portuguesas. Profundidade = sonda + altura de maré. Sobre um banco que descobre (o número sublinhado na carta), a água é a altura de maré menos a sonda a descobrir.
Duas grandezas entram em todas as contas. A amplitude é a diferença entre uma preia-mar (PM) e a baixa-mar (BM) seguinte ou anterior. A duração é o tempo da enchente (da BM à PM) ou da vazante (da PM à BM). Em Lisboa andam perto das seis horas, mas quase nunca são seis horas certas.
As alturas de PM e BM vêm truncadas ao decímetro, e o Instituto Hidrográfico avisa que a maré observada se afasta muitas vezes mais de 0,1 m da prevista. Nenhuma conta te dá o centímetro: arredonda o resultado e guarda margem.
- Marés vivas, perto da lua nova e da lua cheia: grande amplitude, PM mais altas e BM mais baixas.
- Marés mortas, perto dos quartos crescente e minguante: pequena amplitude.
- Na maior parte dos dias há duas PM e duas BM; a maré atrasa cerca de 50 minutos por dia.
A sonda à hora: altura a uma hora e hora para uma altura
O Instituto Hidrográfico ensina, no §109 da tabela, um método com a tabela do Anexo A. Calculas a duração da enchente, a amplitude e o intervalo entre a BM e a hora que te interessa. Com estes três valores, a tabela dá uma correção que somas à altura da BM.
A mesma tabela funciona ao contrário. Se queres saber a que horas a maré chega a uma altura, calculas a correção de que precisas (altura pretendida − altura da BM), entras com a duração e a amplitude e lês o intervalo. Somado à hora da BM, dá a hora procurada.
A tabela supõe que a maré sobe e desce como uma curva regular (sinusoidal). A maré real não é exatamente assim: o resultado é uma boa estimativa, não uma certeza.
A bordo usa-se muito a regra dos duodécimos, também uma aproximação. Divides a enchente (ou a vazante) em seis «horas de maré» iguais e, em cada uma, a água sobe 1, 2, 3, 3, 2 e 1 duodécimos da amplitude. Se a duração não é de seis horas, toma como hora de maré a duração ÷ 6: é uma convenção da regra, não uma medida, e também é uma aproximação.
- Ao fim de 1 hora de maré subiu 1/12 da amplitude; de 2, 3/12; de 3, 6/12 (metade); de 4, 9/12; de 5, 11/12; de 6, toda.
- A água sobe e desce mais depressa na 3.ª e na 4.ª horas de maré: aí, um erro na hora custa mais água.
- No exemplo do §109 (Lisboa, 20 de janeiro de 2022) a tabela dá 1,54 m (≈ 1,5 m) e os duodécimos cerca de 1,6 m: quase o mesmo.
Folga debaixo da quilha, barras e tempo
Água de que precisas = calado + margem de segurança. A margem cobre a ondulação, o afundamento da embarcação em andamento e os erros da previsão. A altura de maré mínima é a água de que precisas menos a sonda; sobre um banco que descobre, é a água de que precisas mais a sonda a descobrir.
Numa barra com ondulação a embarcação desce nas cavas: deixa muito mais margem e escolhe a hora com mais água.
A tabela assume tempo médio. O Instituto Hidrográfico indica que uma variação de 10 hPa mexe o nível cerca de 0,09 m: a pressão baixa faz subir a água e a alta faz descer. O vento forte do mar para terra acumula água; o vento de terra baixa o nível; e o vento também adianta ou atrasa as horas.
Antes de sair por uma barra portuguesa, consulta o estado das barras publicado pela Autoridade Marítima Nacional: aberta, condicionada ou fechada.
- Não uses a água extra de uma baixa pressão para cortar margem: o tempo também pode tirar água.
- Nas rias e nos estuários, as cheias dos rios fazem subir o nível e as secas fazem-no descer.
Correntes de maré nos estuários
A corrente de maré é o movimento horizontal da água causado pela maré. Num estuário, a enchente é a corrente que entra e a vazante a que sai para o mar. O estofo é o período de corrente fraca ou nula, geralmente perto da inversão.
As fases da corrente nem sempre coincidem com a PM e a BM: num estuário, a corrente pode continuar a entrar ou a sair depois da preia-mar ou da baixa-mar. Para saberes quando inverte e com que força corre, usa a carta, o roteiro e as publicações oficiais do local. Não adivinhes.
Com amplitudes maiores, nas marés vivas, as correntes são geralmente mais fortes. Junto aos cabos e nas passagens estreitas, a corrente acelera.
A vazante a sair contra a ondulação ou contra o vento torna o mar da barra mais curto, íngreme e rebentado. Com ondulação, prefere passar a barra com a enchente e perto da preia-mar: há mais água e a corrente segue no sentido da ondulação.
- O vento nomeia-se pela direção de onde vem; a corrente, pela direção para onde vai.
- Vento contra corrente: mar curto e cavado. Vento e corrente no mesmo sentido: ondas mais longas e baixas.
Lições deste bloco
- A9 Marés, correntes e ventos; utilização da tabela de marés; cálculo da sonda à hora
