Unidade 1 · Lição

A carta, a embarcação e o motor

Neste bloco ficas a saber o que a tua carta te deixa fazer, que papéis e equipamento levas, como se chamam as partes da embarcação, como cuidas do motor e como usas a bandeira nacional. É a base de tudo o resto.

Decide · Quatro situações no mar. Primeiro decides, depois lês porquê.

Lancha de 7 m com um motor fora de borda potente, atracada a um pontão
Fotografia gerada com uma ferramenta de imagem (ChatGPT)

Tens 17 anos e Carta de Marinheiro. A lancha da família tem 7 m e um motor de 40 kW. Podes comandá-la?

O essencial

  1. O que a carta permiteDe dia, até 3 milhas da costa e 10 milhas de um porto de abrigo, cumprindo os dois limites.
    1. Dos 16 aos 18 anos: até 6 m e 22,5 kW, mais motas de água e pranchas motorizadas.
    2. A partir dos 18: até 12 m, com potência adequada à certificação.
    3. Nas praias de banhos, os primeiros 300 m são dos banhistas: entra pelo corredor.
    Portugal: áreas, equipamento e documentos
  2. A embarcação e a palamentaConhece as partes do casco, as medidas principais e o material solto de bordo.
    1. Comprimento, boca, calado e bordo livre.
    2. Palamenta: remos, croque, vertedouro, defensas, cabos.
    Estrutura do barco e tipos de navio
  3. Propulsão, governo e motorO leme governa com a água a passar por ele; o motor quer verificações antes de sair.
    1. Antes de sair: combustível, óleo, refrigeração e corta-circuito.
    2. Com o motor fora de borda, confirma o jato de água de refrigeração.
    Verificações do motor antes de sair
  4. Cerimonial marítimoA bandeira nacional vai à popa; os tipos 1 a 3 usam-na à entrada e saída dos portos.
    1. Galhardetes e outras bandeiras só com a nacional içada.
    2. Em águas estrangeiras, bandeira de cortesia na cruzeta de estibordo (costume).
    Cerimonial marítimo
  5. Meio marinhoÓleos, águas oleosas e lixo ficam a bordo e são entregues em terra.
    1. Usa absorventes na sentina.
    2. Prefere óleos biodegradáveis quando o fabricante os permite.
    Poluição no mar

Verifica o que leste

Pergunta 1/3

Estás a bordo, virado para a proa. Como se chama o lado direito da embarcação?

Para saber mais

Explicação completa e lições

O que a tua carta permite

A Carta de Marinheiro permite navegar de dia, até 3 milhas da costa e até 10 milhas de um porto de abrigo. As duas distâncias contam ao mesmo tempo: não basta cumprir uma delas.

Dos 16 aos 18 anos, podes comandar embarcações até 6 m e 22,5 kW, além de motas de água e pranchas motorizadas de qualquer potência. A partir dos 18 anos, o limite passa para 12 m, com potência dentro do limite certificado da embarcação.

Lembra-te de que a carta e a embarcação têm limites próprios. Podes ir apenas até onde os dois permitem: vale sempre o mais restrito.

  • Marinheiro: de dia, 3 NM da costa e 10 NM do abrigo.
  • 16–18 anos: até 6 m e 22,5 kW; motas de água e pranchas motorizadas de qualquer potência.
  • Depois dos 18: até 12 m, com a potência certificada da embarcação.
  • As cartas de outros Estados-Membros da UE são reconhecidas automaticamente.

O Regulamento: tipos de embarcação e praias

A náutica de recreio rege-se pelo Decreto-Lei 93/2018. As embarcações de recreio registadas em Portugal dividem-se nos tipos 1 a 5, e o tipo define a zona onde podem navegar. A DGRM faz as vistorias dos tipos 1 a 3 e a Autoridade Marítima Nacional as dos tipos 4 e 5. O algarismo do tipo aparece na identificação à popa, por exemplo NOME-123456-4PT.

Numa praia de banhos, os primeiros 300 m desde a linha de água são só dos banhistas. Se tiveres de chegar à praia, usa os corredores sinalizados, perpendiculares à costa e à velocidade mínima de governo, a menor que ainda te deixa controlar a direção.

Cada Capitania indica no seu edital os portos de abrigo e as regras locais. Lê-o antes de saíres.

  • Tipo 1: sem limite. Tipo 2: até 200 NM da costa. Tipo 3: até 40 NM da costa.
  • Tipo 4: até 6 NM da costa e 25 NM de um porto de abrigo.
  • Tipo 5: águas abrigadas, até 3 NM de um porto de abrigo.
  • Motas de água e pranchas motorizadas: sem navegar do pôr ao nascer do sol, salvo autorização excecional do órgão local da AMN.

A embarcação: nomenclatura, palamenta, propulsão e governo

De frente para a proa, bombordo fica à esquerda e estibordo à direita. Para vante é em direção à proa; para ré, em direção à popa. A quilha é a espinha dorsal do casco, as cavernas são as costelas, a sentina é o espaço mais baixo por dentro, onde se junta a água, e o painel de popa fecha o casco atrás.

Nas medidas, a boca é a largura máxima, o calado é a profundidade do ponto mais baixo abaixo da linha de água e o pontal é a altura do casco, da quilha ao convés.

A palamenta é o conjunto de utensílios de bordo: remos, croque, vertedouro, defensas, cabos de amarração e reboque, âncora. O croque ajuda a aproximar ou largar, o vertedouro retira água e as defensas protegem o casco do cais.

Com motor interior e linha de veios, o leme fica atrás do hélice e governa melhor com a corrente de descarga do hélice a bater-lhe na pá. A ré, essa corrente vai para vante, afasta-se do leme e o governo é fraco; um hélice dextrógiro costuma empurrar a popa para bombordo. O fora de borda governa orientando o impulso e não tem leme separado.

  • Bombordo à esquerda, estibordo à direita, de frente para a proa.
  • Palamenta: remos, croque, vertedouro, defensas, cabos, âncora.
  • Linha de veios: leme separado; efeito evolutivo a ré.
  • Fora de borda: governa orientando o impulso; usa o cordão do corta-circuito.

O motor, o cerimonial e o mar limpo

Antes de largar, vê pessoalmente o combustível e planeia pela regra dos terços: um terço para a ida, um terço para a volta e um terço de reserva. Abre a válvula de combustível e o respiro, liga o interruptor da bateria, vê o óleo e as fugas. Depois de arrancar, confirma o jato testemunho do fora de borda ou a água no escape. Se a água falhar, para o motor e vê a válvula de fundo, o filtro e o impulsor. Nunca abras o tampão do líquido de arrefecimento a quente.

O cerimonial vem do artigo 14.º do DL 93/2018. Uma embarcação registada em Portugal usa a bandeira nacional. Os tipos 1 a 3 têm de a içar ao entrar e ao sair de qualquer porto e, em viagem, quando cruzam com navios de guerra ou embarcações ao serviço de forças de segurança, de qualquer nacionalidade. Em regata, isto não se aplica. Outras bandeiras, como o galhardete do clube, só podem estar içadas com a bandeira nacional içada, exceto em regata.

Por costume, e não por lei, em águas de outro país iças a bandeira de cortesia desse país por baixo da cruzeta de estibordo, saúdas um navio de guerra arriando a bandeira nacional até ele responder, e para o luto ficas a meia-haste: sobe primeiro ao topo, depois desce.

No mar nunca vão óleo, água oleosa da sentina, plástico nem lixo. Põe almofadas absorventes sob o motor, abastece devagar e sem encher até ao topo, e entrega o que for resíduo em terra. Se causares um derrame, estanca-o, contém-no e comunica-o logo à Capitania do porto ou, no mar, à Autoridade Marítima pelo canal 16 de VHF.

  • Terços: ida, volta, reserva.
  • Bandeira nacional: tipos 1–3 ao entrar e ao sair de um porto e ao cruzar com um navio de guerra ou das forças de segurança.
  • Bandeira de cortesia: estibordo. Meia-haste: ao topo primeiro.
  • Água oleosa e plásticos: nunca para o mar.

Lições deste bloco

A1 Recapitulação das matérias do programa do curso de Principiante
A2 Regulamento da Náutica de Recreio: capacidades da carta de marinheiro, documentação e impostos, vistorias, distâncias ao navegar ao longo de praia, navegação em águas interiores
A3 Características fundamentais de uma embarcação; tipos de embarcações de recreio
A4 Nomenclatura e palamenta das pequenas embarcações
A14 Conhecimentos sumários de cerimonial marítimo
A17 Noções genéricas sobre motores; manutenção pelo utilizador
A18 Preservação do meio ambiente marinho: óleos queimados, águas residuais, resíduos não biodegradáveis, óleos biodegradáveis