Unidade 4 · Lição

Segurança, homem ao mar e primeiros socorros

Segurança e emergência pedem pelo menos 60 %, e o homem ao mar é a manobra que fazes no exame prático. Aqui treinas o que fazer, por ordem, com calma.

Decide · Quatro situações no mar. Primeiro decides, depois lês porquê.

Pessoa com colete insuflado na água, junto ao costado de uma lancha
Fotografia gerada com uma ferramenta de imagem (ChatGPT)

Alguém cai ao mar por bombordo e viste a queda. Qual é a primeira coisa a fazer?

O essencial

  1. Segurança a bordoColetes vestidos, equipamento do tipo da embarcação e apresentação de segurança antes de largar.
    1. Colete de 150 N recomendado no tipo 4, 100 N no tipo 5.
    2. Extintor junto ao motor; conhece onde está tudo.
    Equipamento de segurança
  2. Homem ao marGritar, apontar, atirar a boia, MOB; voltar devagar contra o vento ou o mar.
    1. Guina para o bordo da queda.
    2. Ponto morto a um comprimento; motor parado antes da recolha.
    3. Usa sempre o corta-circuito.
    Homem ao mar
  3. IncêndioCombustível, ar e calor: tira um e o fogo apaga.
    1. Nunca água em combustível a arder.
    2. Aponta o extintor à base das chamas.
    Incêndio a bordo
  4. Primeiros socorrosSegurança do local, avaliação, pedir ajuda; se não respira normalmente, reanimar.
    1. Compressões de 5 a 6 cm, 100 a 120 por minuto.
    2. Afogamento: 5 insuflações iniciais, se tiveres formação.
    Primeiros socorros e reanimação

Verifica o que leste

Pergunta 1/3

Qual é o nível de flutuabilidade de colete habitualmente usado no mar, segundo a norma EN ISO 12402?

Para saber mais

Explicação completa e lições

Segurança a bordo: tu e a embarcação

A segurança começa antes de largar. O equipamento obrigatório depende do tipo da embarcação (Portaria 1464/2002, aplicada com o DL 93/2018) e a lista cresce com o tipo. A maioria das pequenas embarcações é do tipo 4 ou 5, por isso convém conheceres as duas listas.

O colete de salvação é o equipamento mais importante. Tem de haver um para cada pessoa, incluindo tamanhos infantis. A AMN recomenda 150 N para o tipo 4 e 100 N para o tipo 5. Veste-o antes de precisares dele: o choque pelo frio ao cair em água fria não te dá tempo para o pôr.

  • Tipo 4: costeira restrita, até 25 NM de um porto de abrigo e 6 NM da costa. Tipo 5: águas abrigadas, até 3 NM de um porto de abrigo.
  • Boias de salvação por comprimento: 5 m a menos de 9 m, uma; 9 m a menos de 15 m, duas. Uma boia leva um cabo de 30 m; havendo duas ou mais, uma leva luz.
  • Tipo 5: 2 fachos de mão (dispensados dentro das barras), agulha, buzina, caixa de primeiros socorros A, bomba de esgoto acessível, âncora, faca de ponta redonda, cabos e lanterna estanque.
  • Tipo 4: o do tipo 5 (com a caixa B em vez da A), mais meios de sobrevivência para a lotação máxima, 2 sinais com paraquedas, 1 sinal de fumo, VHF com DSC (admite-se portátil), agulha de marcar, cartas e publicações atualizadas e refletor de radar.

Extintores, arnês e radiobalizas

Uma embarcação aberta com motor fora de borda leva um extintor de pó de 1 kg. Com motor interior e sem extinção fixa, leva um extintor de pó de 2 kg junto ao motor. Fixa os extintores perto das saídas, onde os alcances sem passar pelo fogo.

O colete ajuda-te a flutuar depois de caíres; o arnês e o cabo de segurança servem para não caíres. Engata-te em linhas de vida ou em pontos próprios, nunca nos cabos dos guarda-mancebos, e engata-te antes de subires ao convés.

A EPIRB pertence à embarcação e a PLB a uma pessoa; ambas enviam um alerta de socorro por satélite a 406 MHz e devem estar registadas.

  • Nível de flutuabilidade (EN ISO 12402): 50 N auxiliar de flutuação, 100 N águas abrigadas, 150 N uso habitual no mar, 275 N condições severas.
  • Precintas entrepernas ou de coxa impedem o colete insuflado de subir sobre a cara.
  • Antes de largar, mostra a todos onde está o equipamento e como se pede ajuda; não é só o comandante que tem de saber.

Homem ao mar: a manobra do exame

No exame prático recolhes uma boia que simula o náufrago. O princípio é o de qualquer embarcação a motor: ver, avisar, afastar o hélice, não perder a pessoa de vista e chegar devagar.

Se viste a queda, vira de imediato para o bordo por onde a pessoa caiu: a popa e o hélice afastam-se dela. Reduz a velocidade, atira um meio flutuante, carrega em MOB no plotter ou GPS e grita «Homem ao mar a bombordo» (ou a estibordo). Uma só pessoa aponta e não tira os olhos da vítima.

  • Regressa devagar, contra o vento ou a ondulação, conforme o que mais afete o governo, com a pessoa à vista do lado de quem governa, por anteavante do través.
  • A cerca de um comprimento da embarcação, já quase parado, seleciona ponto morto. O ponto morto não trava o barco nem garante que o hélice pare.
  • Para o motor antes de a pessoa se aproximar do hélice ou da popa. Usa sempre o cabo do corta-circuito.
  • Aproxima-te de proa, nunca de marcha a ré para a pessoa. Prende-a logo que esteja ao lado, com um cabo.
  • O MOB marca a posição do barco no instante em que carregas; carrega logo. Em terra o alerta é o 112; no mar, o canal 16 do VHF ou o alerta DSC.

Incêndio e primeiros socorros

O fogo precisa de combustível, calor e oxigénio. Combate-o por arrefecimento, abafamento ou corte do combustível. Nunca apagues gasolina, gasóleo ou óleo com água. Com um extintor, usa a regra PASS: retira a cavilha, aponta à base das chamas, aperta o manípulo e varre de lado a lado. Um extintor pequeno pode esvaziar-se em 10 segundos.

Num incêndio no compartimento do motor, mantém a escotilha fechada e descarrega o extintor adequado do exterior, pelo orifício de extinção. Põe os coletes logo no início. Se não controlares o fogo, retira todos, fecha as escotilhas, pede socorro (Mayday no canal 16) e prepara o abandono.

Nos primeiros socorros começa pela segurança do local: não te tornes a segunda vítima. Avalia por ordem (perigo, resposta, via aérea, respiração) e pede ajuda cedo. Se a pessoa não responde e não respira normalmente, inicia a reanimação.

  • Verifica a respiração durante, no máximo, 10 segundos.
  • Reanimação num adulto: compressões no centro do peito, 5 a 6 cm de profundidade, 100 a 120 por minuto; com formação, 30 compressões e 2 insuflações. Usa o DAE assim que chegar e segue as instruções de voz.
  • Pessoa que não responde mas respira normalmente, sem suspeita de lesão: posição lateral de segurança, e vigia a respiração.
  • Hemorragia grave: comprime já a ferida com força. Afogamento: 5 insuflações iniciais e depois 30:2.
  • Engasgamento grave: até 5 pancadas entre as omoplatas e depois até 5 compressões abdominais.

Lições deste bloco

B Parte prática: aparelhar e conduzir, homem ao mar, fundear e atracar, boias, incêndio, arte de marinheiro, motores