Unidade 5 · Lição

Legislação, tempo, manobra, segurança e motor

Segurança e emergência pedem pelo menos 60 %. Com a Carta de Patrão Local vais até 6 NM da costa e 25 NM de um porto de abrigo, por isso aqui decides tu: se sais com a previsão que há, como atracas e largas com vento e corrente, quando abandonas a embarcação e o que fazes quando o motor falha.

Decide · Quatro situações no mar. Primeiro decides, depois lês porquê.

Costa atlântica de manhã, vista do mar, com mar calmo, céu limpo a norte e uma lancha a navegar junto à costa
Fotografia gerada com uma ferramenta de imagem (ChatGPT)

Previsão: vento norte 3 a 4, a aumentar para 5 a 6 à tarde. Queres ir a uma baía virada a sul, a 20 NM ao longo da costa. Que fazes?

O essencial

  1. O que a carta permiteÀ vista da costa, até 6 NM da costa e 25 NM de um porto de abrigo, a partir dos 18 anos.
    1. Vale o limite mais apertado entre a carta e o tipo: num tipo 5, só 3 NM de um porto de abrigo.
    2. Habilita também a operar rádio do GMDSS.
    3. O que sabes do Marinheiro continua a valer: RIEAM, balizagem, fundeio, homem ao mar.
    Portugal: tipos, cartas e documentos
  2. Documentos, vistorias e bandeiraLivrete, carta, seguro e IUC quando devido; vistoria a cada 10 anos, ou 5 nos casos do art. 25.º.
    1. Vistoria a cada 5 anos: mais de 20 anos desde o primeiro registo, mais de 24 m, ou madeira com mais de 12 m.
    2. Tipos 1 a 3: bandeira nacional ao entrar e sair dos portos (art. 14.º).
    Registo, documentos e vistorias
  3. Ler o tempoPrevisão oficial e avisos para todo o percurso; planeia para o valor mais alto.
    1. De costas para o vento, no hemisfério norte, a baixa fica à esquerda.
    2. Barómetro a descer mais de 3,5 hPa em 3 h: vem mais vento.
    3. Frente fria: rotação brusca à direita e borrascas.
    4. Advecção: ar quente e húmido sobre mar frio dá nevoeiro.
    Obter uma previsão marítima
  4. Atracar, largar e fundearProa contra o efeito dominante; usa o efeito evolutivo e as regeiras a teu favor.
    1. Hélice dextrógiro: a ré, a popa vai para bombordo; prefere bombordo ao cais.
    2. Vento contra o cais: sai com a regeira de proa.
    3. Boia: deixa o cabo longe do hélice antes de engrenar.
    Hélice, leme, vento e corrente
  5. Salvação e abandonoFica a bordo enquanto for mais seguro; prepara o abandono cedo.
    1. Mayday, EPIRB, roupa quente, coletes e saco de emergência.
    2. Boça presa, balsa a sotavento, embarcar a seco, comandante no fim.
    3. Na balsa: cortar, largar, fechar, manter.
    Abandono da embarcação
  6. Avarias do motorPrimeiro a embarcação, depois o motor: combustível, ar, arrefecimento, eletricidade.
    1. Pouca água no escape: para e vê válvula de fundo, filtro e impulsor.
    2. Filtro novo: purga o ar.
    3. Cabo no hélice: ponto morto, motor parado, nada de marcha a ré.
    Avaria do motor no mar
  7. Homem ao mar e reboqueWilliamson para voltar pelo trajeto; no reboque, ponto forte, faca pronta e ninguém na linha do cabo.
    1. Alerta DSC de «homem ao mar» e Mayday por voz.
    2. Protege o cabo de reboque do roçamento.
    3. Governa para seguir quem te reboca.
    Homem ao mar

Verifica o que leste

Pergunta 1/3

Que limites de distância tem a Carta de Marinheiro, que já conheces, e quais tem a de Patrão Local?

Para saber mais

Explicação completa e lições

Da Carta de Marinheiro à de Patrão Local

Tudo o que aprendeste no curso de Marinheiro continua a valer: as regras de abalroamento, a balizagem, a Tabela de Marés, o fundeio, o homem ao mar, o incêndio e os primeiros socorros. Aqui vais um nível mais fundo, porque agora vais mais longe e passas a decidir sozinho se a saída é segura.

A Carta de Patrão Local permite comandar embarcações de recreio à vista da costa, até 25 NM de um porto de abrigo e até 6 NM da costa. As duas distâncias contam ao mesmo tempo. A idade mínima é 18 anos. A lei limita a Carta de Marinheiro à navegação diurna; para a de Patrão Local não fixa esse limite. Também te habilita a operar equipamentos de rádio do GMDSS.

A carta e a embarcação têm limites próprios e vale sempre o mais apertado. Os limites do Patrão Local coincidem com os do tipo 4. Se comandares uma embarcação do tipo 5, ficas até 3 NM de um porto de abrigo, mesmo com a tua carta.

  • Tipo 1: sem limite. Tipo 2: até 200 NM da costa. Tipo 3: até 40 NM da costa. Tipo 4: até 6 NM da costa e 25 NM de um porto de abrigo. Tipo 5: águas abrigadas, até 3 NM de um porto de abrigo.
  • Os portos de abrigo e as regras locais estão no edital de cada Capitania. Lê-o antes de saíres.
  • Documentos de bordo: livrete, carta do comandante, apólice de seguro e comprovativo do IUC, quando devido. O seguro de responsabilidade civil é obrigatório para os tipos 1 a 4 e, no tipo 5, para as embarcações com motor e os veleiros com mais de 7 m.
  • Vistoria periódica (art. 25.º): a cada 10 anos desde o primeiro registo; a cada 5 anos para as embarcações com mais de 24 m, as de casco de madeira com mais de 12 m e as que têm mais de 20 anos desde o primeiro registo.
  • Bandeira nacional (art. 14.º): os tipos 1 a 3 têm de a usar ao entrar e ao sair de qualquer porto e ao cruzar com navios de guerra ou embarcações ao serviço de forças de segurança. Outras bandeiras só com a nacional içada.

O tempo: ler a previsão e o céu

A tua referência é a previsão marítima oficial e os avisos em vigor. Em Portugal, o serviço meteorológico nacional é o IPMA. A Capitania publica os avisos locais e o estado das barras (aberta, condicionada ou fechada). As aplicações mostram muitas vezes resultados de modelos: confirma quem emite a previsão e a que horas.

A pressão e o vento andam juntos. No hemisfério norte, o vento circula no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio à volta de uma depressão e no sentido dos ponteiros à volta de um anticiclone. De costas para o vento, a baixa pressão fica à tua esquerda. O que conta no barómetro é a tendência: uma descida de mais de 3,5 hPa em 3 horas avisa de vento mais forte.

Quando uma depressão passa a norte de ti, o vento roda à direita em cada frente. Antes da frente quente a pressão desce e as nuvens engrossam; no setor quente o vento fica constante, com nuvens baixas e má visibilidade; a frente fria traz uma rotação brusca à direita, borrascas, e depois pressão a subir e aguaceiros.

O nevoeiro marítimo mais comum é o de advecção: ar quente e húmido sobre mar mais frio. Pode durar com vento moderado e o nascer do sol não garante que levante. Marca a tua posição antes de ele chegar.

  • Beaufort: força 4, 11 a 16 nós; força 5, 17 a 21; força 6, 22 a 27; força 8 (vento muito forte), 34 a 40.
  • A força é um vento médio: as rajadas são mais fortes. Numa previsão de «5 a 6», planeia para 6.
  • Brisa marítima: de dia, vem do mar, mais forte a meio da tarde. Na costa oeste, no verão, sopra a nortada.
  • As emissões meteorológicas por VHF são anunciadas no canal 16 e lidas num canal de trabalho. O NAVTEX (518 kHz) imprime avisos meteorológicos (B) e previsões (E).

Fundear, atracar e largar

Em qualquer manobra lenta, põe a proa contra o que mais afeta o teu barco, o vento ou a corrente. Lembra-te das convenções: o vento chama-se pelo lado de onde vem e a corrente pelo lado para onde vai. Os barcos amarrados a uma só boia e livres para rodar mostram-te qual domina.

Com um só hélice de passo fixo e linha de veios, o leme governa com a água que passa por ele. A ré, desde parado, o efeito evolutivo manda: um hélice dextrógiro leva a popa para bombordo. Por isso, podendo escolher, atracas com bombordo ao cais: o golpe de motor a ré que trava o barco também aproxima a popa do cais. Com seguimento avante, o barco roda à volta de um ponto a cerca de um terço do comprimento a partir da proa, por isso vê a folga nas duas pontas.

As regeiras correm ao longo do cais. Uma regeira de proa sai da zona de vante para um ponto a ré e trava o avanço. Com vento a empurrar-te contra o cais, larga assim: deixa só a regeira de proa, põe uma defensa na proa, motor devagar avante e leme para o lado do cais. A proa fica presa e a popa abre. Quando a popa estiver bem afastada, larga a regeira e sai a ré. Com vento de terra, basta largar os cabos e deixar o vento afastar-te.

A uma boia de amarração chegas como a um fundeadouro: devagar, contra o efeito dominante, com a boia à proa e o croque pronto. Ao largar, deixa o barco descair até o cabo da boia ficar longe do hélice antes de engrenares. Para atracar a outra embarcação, pede autorização, prepara defensas e cabos e aproxima-te como a um cais, contra o efeito dominante. Para largar de um grupo de embarcações atracadas umas às outras, combina a manobra com os vizinhos: em geral é mais fácil sair pelo lado para onde corre a corrente, deixando que ela te afaste, enquanto eles voltam a passar os cabos que tiveste de largar.

  • Fundear: água suficiente na baixa-mar; amarra calculada com a profundidade na preia-mar mais a altura da proa (cerca de 4 vezes só com corrente e 7 vezes com linha mista, em abrigo).
  • Larga o ferro quando o barco começa a cair para trás; unha-o com marcha a ré suave e confirma com um enfiamento.
  • Para levantar ferro, avança devagar a motor na direção do ferro; não arrastes o barco com o molinete. Amarra na vertical: o ferro está a pique.
  • Cabos e defensas prontos antes da aproximação. Nunca uses as mãos ou os pés como defensa e não fiques dentro do seio de um cabo.

Segurança, abandono, motor e reboque

A prevenção é o essencial: coletes vestidos, arnês quando é preciso, corta-circuito preso, o equipamento do tipo da embarcação e uma apresentação de segurança antes de largar. O tipo 4 leva meios de sobrevivência para a lotação máxima, VHF com DSC (admite-se portátil), 2 fachos de mão, 2 sinais com paraquedas, 1 sinal de fumo, a caixa de primeiros socorros B e refletor de radar.

Só passas para a balsa quando o barco deixa de ser o abrigo mais seguro: entra água mais depressa do que as bombas esgotam, o fogo alastrou ou o barco está a desfazer-se. Prepara-te cedo: Mayday com a posição, as pessoas e a intenção de abandonar; EPIRB ligada; roupa quente e coletes com cintas entrepernas; saco de emergência no convés. Prende a boça a um ponto resistente, lança a balsa normalmente a sotavento, puxa a boça até ao fim e dá um esticão forte. Embarca sem te molhares: primeiro o mais forte, depois o saco e os mais fracos, o comandante no fim.

Na balsa: corta a boça antes de o barco a ameaçar e afasta-te, larga a âncora flutuante, fecha as entradas e mantém a balsa. As prioridades são proteção, localização, água e comida. Nas primeiras 24 horas, água só para feridos, doentes ou quem vomita. Nunca bebas água do mar.

Quando o motor falha, primeiro a embarcação, depois o motor: vê para onde te levam o vento e a corrente e a que velocidade. Perto de uma costa a sotavento, fundeia já, se for adequado. Depois diagnostica por ordem: combustível, ar, arrefecimento e sistema elétrico. Para um reboque, combina com quem reboca um ponto de fixação resistente, protege o cabo do roçamento, tem uma faca pronta e afasta todos da linha do cabo sob tensão.

  • Sobreaquecimento com pouca ou nenhuma água no escape: para o motor; fecha a válvula de fundo e vê o filtro de água, o impulsor e as mangueiras. Nunca abras o tampão do líquido de arrefecimento a quente.
  • Perda de potência depois de mar agitado: suspeita de filtros entupidos por sujidade do depósito. Depois de mudares um filtro, purga o ar do circuito.
  • Hélice enredado: ponto morto já, para o motor e impede o arranque. Não uses a marcha a ré para o soltar.
  • Homem ao mar à noite ou sem teres visto a queda: a curva de Williamson leva-te de volta pelo trajeto anterior. Envia o alerta DSC de «homem ao mar» e o Mayday por voz.
  • Pessoa recolhida de água fria: iça-a o mais na horizontal possível e vigia-a.

Lições deste bloco

A1 Recapitulação das matérias do curso de Marinheiro
A15 Conhecimentos gerais de meteorologia; informação meteorológica a bordo
A16 Manobras de fundear, atracar e largar de um cais, de uma boia ou de outra embarcação
A17 Segurança a bordo e prevenção de acidentes; meios e equipamentos de salvação; abandono; noções sumárias de primeiros socorros
A18 Motores: utilização e manutenção pelo utilizador; avarias mais frequentes
B Parte prática: comando e governo com navegação estimada, costeira e em águas restritas, homem ao mar e reboque; equipamentos de comunicações e de navegação; arte de marinheiro