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Construção do navio: estrutura, estanqueidade e docagem

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Embarcação e motores≈ 4 min de leitura

Duplo fundo, antepara de colisão e reforços das extremidades

1A lição em palavras simples

Em uma frase

Duplo fundo e antepara de colisão limitam alagamentos se seus limites ficam intactos. Reforços ajudam as extremidades a resistir à pulsação das chapas e às pancadas de fundo.

O duplo fundo

O duplo fundo tem uma segunda camada estanque, o fundo interior ou teto do duplo fundo, acima do fundo externo. Se o fundo interior ficar intacto após um encalhe, o alagamento pode ficar entre as camadas. Seus tanques levam lastro, combustível ou água doce. A Convenção Internacional para a Salvaguarda da Vida Humana no Mar (SOLAS), II-1/9, fixa requisitos para navios de passageiros e de carga, exceto navios-tanque. A altura mínima é B/20, sendo B a boca, nunca inferior a 760 mm, mas não precisa superar 2 m.

Dentro do duplo fundo

O espaço é dividido por hastilhas, chapas transversais, e longarinas, de proa a popa, com a quilha vertical no plano central. Hastilhas cheias têm furos para acesso e redução de peso. Hastilhas estanques fecham as extremidades dos tanques. Alguns navios têm quilha em túnel, passagem central para tubulações. Esses tanques são espaços confinados: entre somente com permissão de entrada.

A antepara de colisão

A antepara de colisão é a antepara estanque mais à proa. Nos cargueiros, alcança o convés de borda livre, referência para medir a borda livre; nos navios de passageiros, o convés das anteparas. Nos cargueiros, fica normalmente entre o menor de 0,05L ou 10 m e o maior de 0,08L ou 0,05L + 3 m, a ré da perpendicular de vante. L é o comprimento definido pela SOLAS. Proas salientes têm regras especiais de referência: confira o plano aprovado. Intacta, ela limita o alagamento por avaria na proa.

Aberturas na antepara de colisão

Não são permitidas portas, bocas de visita nem aberturas de ventilação abaixo do convés correspondente. Normalmente, só pode passar um tubo para líquidos do pique de proa, com a válvula de bloqueio exigida operável de cima desse convés. Dois tubos podem ser aprovados para um pique dividido com líquidos diferentes. Os requisitos variam entre navios de passageiros e cargueiros. Siga SOLAS II-1/12 e o arranjo aprovado.

Pulsação e pancadas de fundo

No caturro, movimento de proa para cima e para baixo, a pressão variável da água flexiona as chapas da proa para dentro e fora: pulsação do chapeamento, ou panting. Vaus de reforço, escoas laterais e borboletas de proa, chapas horizontais, reforçam o pique de proa. Quando a proa sai da água e bate ao cair, o fundo plano de vante sofre pancadas de fundo, ou slamming/pounding. Por isso, recebe chapas mais espessas e reforços mais próximos. Se houver pancadas, reduza a velocidade ou altere o rumo: as avarias se acumulam.

A popa

A antepara do pique de popa forma um limite estanque perto da popa. O tubo telescópico, por onde o eixo da hélice sai do casco, tem um compartimento estanque próprio, não necessariamente o pique de popa: confira o plano aprovado. O cadaste ou um suporte fundido do leme sustenta o leme e resiste à vibração da hélice. O pique de popa costuma ser um tanque de lastro, reforçado contra a pulsação do chapeamento.

2Dados-chave

Altura do duplo fundo (SOLAS II-1/9)
B/20, no mínimo 760 mm; não precisa superar 2.000 mm
Antepara de colisão, cargueiro (comprimento L da SOLAS)
Do menor de 0,05L ou 10 m ao maior de 0,08L ou 0,05L + 3 m
Referência de medição
Normalmente a perpendicular de vante; há regras especiais para a proa
Aberturas abaixo do convés exigido
Normalmente um tubo de líquidos do pique de proa; há exceções aprovadas

3Pontos-chave

  1. 1

    O fundo interior intacto pode conter o alagamento após encalhe; tanques do duplo fundo levam lastro e combustível.

  2. 2

    A antepara de colisão intacta limita alagamentos na proa; sem portas ou bocas de visita abaixo do convés estanque exigido.

  3. 3

    Vaus, escoas e borboletas de proa resistem à pulsação; chapas mais espessas no fundo de vante resistem às pancadas.

  4. 4

    Reduza a velocidade ou altere o rumo se houver pancadas de fundo; as avarias se acumulam.

4Erros frequentes

  • Erro: Uma boca de visita na antepara de colisão é aceitável se estiver bem aparafusada.

    Correto: Portas, bocas de visita e aberturas de ventilação são proibidas abaixo do convés correspondente. A tubulação do pique deve seguir o arranjo SOLAS aprovado.

  • Erro: As pancadas de fundo só incomodam; a estrutura foi projetada para elas.

    Correto: Pancadas repetidas podem causar flambagem no fundo de vante. Reduza a velocidade ou altere o rumo até pararem.

5Caso prático e dicas de prova

Situação

Seu cargueiro carregado avança a toda velocidade contra ondas curtas e íngremes. A proa sai da água e cai com fortes trepidações a cada poucas ondas. O comandante pergunta o que ocorre na estrutura.

Ver a resposta

São pancadas de fundo, ou slamming/pounding. Cada impacto carrega o fundo plano de vante e pode amassar chapas ou causar flambagem dos reforços. A vibração, chamada whipping, também solicita a viga-navio. Reduza a velocidade e, se necessário, altere o rumo para que a proa pare de sair da água. Depois, inspecione o pique de proa e os tanques de vante do duplo fundo. Procure amassados, trincas e vazamentos e informe as avarias.

Dicas de prova

  • Duplo fundo: função, elementos (hastilhas, longarinas, quilha em túnel) e altura mínima B/20, nunca inferior a 760 mm.
  • Posição da antepara de colisão e regra para aberturas.
  • Pulsação das chapas e pancadas de fundo: local, causa e reforços para cada uma.
  • Antepara do pique de popa e compartimento estanque do tubo telescópico.

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