Antes da saída: estabilidade, resistência estrutural e a pior condição
1A lição em palavras simples
Antes de sair, confira a condição real e o pior ponto da viagem: estabilidade, resistência estrutural, calado, visibilidade à vante e registros.
A condição de saída
Calcule a condição final com dados reais. Confira os calados pelos limites de linha de carga da viagem; o GM, corrigido para superfície livre, pelo mínimo do caderno; e a estabilidade pela curva limite KG/GM aprovada ou pelos critérios aplicáveis de GZ (braço de adriçamento) do Código Internacional de Estabilidade Intacta (Código IS). Confira forças cortantes e momentos fletores com os limites aprovados para navegação no mar.
A pior condição
A estabilidade muda na travessia. Combustível e água doce são consumidos, muitas vezes de tanques baixos. Por isso, KG costuma subir e mais tanques ficam parcialmente cheios. Madeira no convés pode absorver água; gelo pode se acumular no convés e na superestrutura: peso acrescentado no alto. Calcule a condição de chegada e qualquer ponto intermediário pior. O navio deve atender aos critérios durante toda a viagem, não só na saída.
Outras verificações
Confira a imersão da hélice e do leme e o trim adequado. Da posição de comando, a SOLAS V/22 exige visibilidade da superfície do mar a partir de, no máximo, dois comprimentos do navio ou 500 m à vante da proa, o menor deles, num setor de 10° para cada bordo. Confira calado aéreo sob pontes e folga sob a quilha considerando o squat, o afundamento e a mudança de trim causados pelo movimento na água. Faça a peação da carga; prepare as escotilhas e fechamentos estanques à água e ao tempo exigidos para o mar. Mantenha a ventilação essencial e os suspiros dos tanques funcionando.
Registros
Guarde a impressão assinada dos cálculos de estabilidade e resistência estrutural de saída. Registre calados de proa, popa e meia-nau, borda livre e densidade da água no diário conforme a bandeira exigir. O controle pelo Estado do porto inspeciona esses registros. Após um acidente, são os primeiros documentos pedidos pelos investigadores.
Se não atender
Corrija antes de sair. Para estabilidade insuficiente, abaixe pesos altos ou reduza a superfície livre; retirar pesos baixos pode piorar GM. Acrescentar lastro baixo pode ajudar, mas confira sua superfície livre, linha de carga e esforços no casco. Para sobrecarga, reduza peso. Confira novamente estabilidade, calado, trim e resistência estrutural em cada etapa afetada. O comandante só autoriza a saída após o plano revisto atender aos limites; forneça dados verdadeiros.
2Passo a passo
Lista de verificação de saída
- 1
Insira carga, sondagens e densidades reais dos tanques. Compare calados calculados e observados e resolva qualquer diferença sem explicação.
O plano não é o navio; a verificação deve usar o que realmente está a bordo.
- 2
Confira os calados pela linha de carga da zona e de todas as zonas da viagem.
O navio não pode estar sobrecarregado em nenhum ponto da travessia.
- 3
Confira GM corrigido e limites de estabilidade aprovados na saída, na chegada e na pior etapa intermediária.
Consumo e tanques parcialmente cheios costumam piorar a condição de chegada.
- 4
Confira forças cortantes e momentos fletores pelos limites para navegação no mar nessas etapas.
Use os limites aprovados para o mar, que consideram as cargas das ondas.
- 5
Confira trim, imersão da hélice, visibilidade à vante, calado aéreo e folga sob a quilha considerando o squat.
Um navio pode atender à estabilidade e ainda ser inseguro para navegar.
- 6
Assine e guarde o cálculo; registre calados, borda livre e densidade conforme a bandeira e a empresa exigirem.
Esses registros permitem ao comandante e aos inspetores conferir as verificações de saída.
3Pontos-chave
- 1
Confira dados reais: linha de carga, GM corrigido para superfície livre, limites aprovados de estabilidade, forças cortantes e momentos fletores.
- 2
A chegada ou um ponto intermediário costuma ser pior que a saída: faça o cálculo.
- 3
Consumo de combustível de tanques baixos, tanques parcialmente cheios, madeira molhada e gelo elevam o KG efetivo.
- 4
SOLAS V/22: trecho de mar oculto ≤2 comprimentos do navio ou 500 m à vante da proa, o menor deles, dentro de ±10° à vante.
- 5
Assine e guarde a impressão; registre calados, borda livre e densidade.
4Erros frequentes
Erro: A condição de saída atende aos critérios, então a viagem está coberta.
Correto: Calcule a chegada e qualquer ponto pior. Consumo de combustível, tanques parcialmente cheios, absorção de água e gelo podem deixar o navio abaixo dos critérios.
Erro: Os limites de esforços para porto servem para a travessia no mar.
Correto: No mar, use os limites aprovados para navegação no mar do manual de carregamento; não os substitua pelos limites de porto.
5Caso prático e dicas de prova
Sua condição de saída atende a todos os critérios. A condição de chegada, após 9 dias consumindo combustível de tanques de duplo fundo e com três tanques parcialmente cheios, fica pouco abaixo do GM exigido. O navio está pronto para sair e o prático está a bordo. O que você faz?
Ver a resposta
Avise o comandante: o navio não atende aos critérios durante toda a viagem e, conforme calculado, não deve sair. Você pode planejar e calcular o lastreamento de um tanque baixo na travessia, ou embarcar lastro baixo agora, consumir combustível de modo a deixar menos tanques parcialmente cheios ou ajustar a carga. Recalcule o plano corrigido para todas as etapas, registre e só então saia.
Dicas de prova
- Os critérios devem ser atendidos durante toda a viagem: saída, chegada e pior ponto.
- No mar, use limites de forças cortantes e momentos fletores para navegação no mar; limites de porto só no porto.
- SOLAS V/22: trecho de mar oculto ≤2 comprimentos do navio ou 500 m à vante da proa, o menor deles, dentro de ±10° à vante.
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