8Manobra para evitar abalroamento
1A regra em palavras simples
Para evitar um abalroamento, atua de forma positiva e com ampla antecedência, faz alterações visíveis, passa a distância segura e verifica o resultado.
Como começar?
As regras do RIPEAM mandam atuar de forma positiva e com ampla antecedência, seguir as regras desta Parte e usar boa prática marinheira.
Qual deve ser a dimensão da alteração?
Faz uma alteração de rumo e/ou velocidade suficientemente grande para ser prontamente percetível visualmente ou pelo radar; evita pequenas alterações sucessivas. Com espaço de mar suficiente, só o rumo pode ser mais eficaz se a manobra for a tempo, substancial e não criar outra situação de aproximação excessiva.
O que verificas depois?
Deves passar a uma distância segura e controlar a eficácia até o outro navio ter passado definitivamente e estar safo. Se necessário, reduz a velocidade, para ou inverte o aparelho propulsor.
E se te for exigido não dificultar?
Quando as circunstâncias o exigirem, manobra cedo para dar espaço de mar suficiente à passagem segura do outro navio; a obrigação continua quando existe risco de abalroamento.
2Pontos-chave
- 1
Manobra inicial: positiva, com ampla antecedência e boa prática marinheira.
- 2
Pequenas alterações sucessivas → não são prontamente percetíveis.
- 3
Só o rumo → espaço de mar, antecedência, ação substancial, sem nova aproximação excessiva.
- 4
Se necessário → reduzir, parar ou inverter a propulsão.
3Erros frequentes
Erro: "Várias pequenas alterações mostram melhor a intenção."
Correto: Faz uma alteração suficientemente grande para ser prontamente percetível visualmente ou pelo radar.
Erro: "Alterar apenas o rumo é sempre mais eficaz."
Correto: Só pode sê-lo com espaço de mar, antecedência, ação substancial e sem nova aproximação excessiva.
Erro: "Um navio obrigado a não dificultar fica dispensado quando existe risco de abalroamento."
Correto: Deve manobrar cedo para dar espaço e continua obrigado a cumprir as Regras.
4Dicas de prova e interpretação
Dicas de prova
- Se vires "pequenas alterações", procura a armadilha: a alteração deve ser grande e prontamente percetível.
- "Só o rumo" exige quatro pistas: espaço de mar, antecedência, ação substancial e ausência de nova aproximação excessiva.
- Em "não dificultar", separa a manobra antecipada para dar espaço do dever que continua quando existe risco.
Como interpretar
- Lê "só o rumo" como opção condicional, não como resposta automática sempre que surge risco de abalroamento.
- Se precisares de evitar o abalroamento ou de ganhar tempo para apreciar a situação, a regra permite reduzir, parar ou inverter a propulsão.
5Texto oficial
IMO COLREG 1972Marinha do Brasil — RIPEAM-72, consolidação com emendas adotadas até dezembro de 2013
Texto integral da regra, reproduzido da fonte oficial indicada abaixo.
Em 8(f)(II), a publicação resume a exigência como «respeitar integralmente as Regras desta parte». O texto inglês exige considerar plenamente as manobras que essas regras possam exigir; a obrigação de não interferir continua quando surge risco de abalroamento.
(a) Qualquer manobra para evitar um abalroamento deve ser realizada de acordo com as regras desta parte e, se a situação permitir, ser positiva, bem como ser realizada com ampla antecedência e levando em conta a observância dos bons princípios de marinharia.
(b) Toda alteração de rumo e/ou de velocidade para evitar um abalroamento deve, se as circunstâncias do caso permitirem, ser ampla o suficiente para ser aparentemente clara para a outra embarcação que esteja observando visualmente ou pelo radar; devem ser evitadas pequenas alterações sucessivas de rumo e/ou velocidade.
(c) Caso haja suficiente espaço, somente a alteração do rumo pode ser a manobra mais eficaz para evitar uma situação de aproximação excessiva, desde que esta seja feita com boa antecedência, seja substancial e não resulte em nova situação de proximidade excessiva.
(d) A manobra executada para evitar um abalroamento com outra embarcação deve ser tal que resulte numa passagem a distância segura. A eficácia da manobra deverá ser cuidadosamente verificada, até que a outra embarcação tenha finalmente passado e esteja safa.
(e) Caso necessário, para evitar um abalroamento ou permitir mais tempo para avaliação da situação, uma embarcação deve diminuir sua velocidade ou cortar seu seguimento, parando ou invertendo seus meios de propulsão.
(f) (I) Uma embarcação que, em virtude de quaisquer destas Regras, for obrigada a não interferir com a passagem ou passagem em segurança de outra embarcação, quando as circunstâncias do caso o exigirem, deverá manobrar com bastante antecedência de modo a deixar suficiente espaço para a passagem em segurança da outra embarcação.
(II) Uma embarcação que estiver obrigada a não interferir com a passagem ou a passagem em segurança de outra embarcação, não estará dispensada dessa obrigação se, ao aproximar-se da outra embarcação, houver risco de abalroamento e deverá ao manobrar, respeitar integralmente as Regras desta parte.
(III) Uma embarcação cuja passagem não deva ser impedida, continua plenamente obrigada a cumprir as Regras desta parte quando as duas embarcações se aproximam uma da outra, de modo a envolver risco de abalroamento.Fonte: Marinha do Brasil — RIPEAM-72, consolidação com emendas adotadas até dezembro de 2013 · USCG — COLREG internacional em inglês, Regra 8
Texto original em inglês
(a) Any action taken to avoid collision shall be taken in accordance with the Rules of this Part and shall, if the circumstances of the case admit, be positive, made in ample time and with due regard to the observance of good seamanship.
(b) Any alteration of course and/or speed to avoid collision shall, if the circumstances of the case admit, be large enough to be readily apparent to another vessel observing visually or by radar; a succession of small alterations of course and/or speed should be avoided.
(c) If there is sufficient sea room, alteration of course alone may be the most effective action to avoid a close-quarters situation provided that it is made in good time, is substantial and does not result in another close-quarters situation.
(d) Action taken to avoid collision with another vessel shall be such as to result in passing at a safe distance. The effectiveness of the action shall be carefully checked until the other vessel is finally past and clear.
(e) If necessary to avoid collision or allow more time to assess the situation, a vessel shall slacken her speed or take all way off by stopping or reversing her means of propulsion.
(f) (i) A vessel which, by any of these rules, is required not to impede the passage or safe passage of another vessel shall, when required by the circumstances of the case, take early action to allow sufficient sea room for the safe passage of the other vessel.
(ii) A vessel required not to impede the passage or safe passage of another vessel is not relieved of this obligation if approaching the other vessel so as to involve risk of collision and shall, when taking action, have full regard to the action which may be required by the rules of this part.
(iii) A vessel, the passage of which is not to be impeded remains fully obliged to comply with the rules of this part when the two vessels are approaching one another so as to involve risk of collision.Concluir esta unidade
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