Decide
Quatro situações no mar. Primeiro decides, depois lês porquê.

O essencial
- A milha e o nóUm minuto de latitude é uma milha (1852 m); um nó é uma milha por hora.
- Direções de 000° a 359°, a partir do norte, no sentido dos ponteiros do relógio.
- Proa: para onde apontas. Rumo: para onde vais. O abatimento afasta-te para sotavento.
- Distância = velocidade × tempo.
- A carta de Mercator e as linhas de posiçãoUma reta na Mercator é uma loxodromia: segues-a com rumo constante e medes a distância na escala de latitudes.
- Para entrar num porto, usa a carta de maior escala.
- Linhas de posição: enfiamento (a mais exata), azimute, distância (circunferência) e batimétrica.
- Duas linhas perto de 90° dão uma posição; a terceira verifica-a.
- O odómetroMede a velocidade e a distância através da água; verifica-o numa base medida, nos dois sentidos.
- A média das duas velocidades sobre o fundo anula uma corrente constante.
- Fator de correção = distância real ÷ distância do odómetro.
- Roda de pás suja de algas faz o odómetro ler a menos.
- Agulha: declinação e desvioLeste +, oeste −. Da agulha para a carta somas; da carta para a agulha subtrais.
- Verdadeiro = agulha + desvio + declinação.
- Agulha = verdadeiro − declinação − desvio.
- O desvio muda com a proa: lê-o na tabela e verifica-o num enfiamento.
- Faróis e balizagemIdentifica cada luz pela característica e, nos setores, pela cor que vês; Portugal está na Região A da IALA.
- Fl(3) 15s: três relâmpagos a cada 15 segundos.
- Os limites dos setores são azimutes verdadeiros tomados do mar.
- A entrar vindo do mar: encarnado a bombordo, verde a estibordo.
- Estima, corrente e confiançaA estima usa a proa e o odómetro; a posição estimada junta a corrente.
- Deslocamento pela corrente = velocidade × tempo, para onde ela corre.
- A confiança diminui com o tempo desde a última posição observada.
- Perto da costa, o que vês vem primeiro: confirma com linhas de posição.
- GPS, datum e cartas eletrónicasO GPS dá posições em WGS84; confirma o datum da carta e não confies na sobreampliação.
- HDOP alta, multitrajeto, interferências e antena mal posta pioram a posição.
- Aplica a translação indicada na carta para posições obtidas por satélite.
- Verifica a rota com várias ampliações e leva carta em papel.
- A sondaMede abaixo do transdutor, salvo se lhe configuraste um desvio.
- Verifica-a com o prumo de mão no mesmo sítio.
- Num ponto conhecido: sonda da carta + altura de maré.
- Bolhas de ar debaixo do transdutor dão leituras erráticas.
Verifica o que leste
Quantas milhas tem um arco de 1° de latitude?
Caso resolvido: Verificar a agulha e o odómetro antes de uma viagem
Antes de uma viagem costeira, vais verificar os instrumentos. Na carta há um enfiamento de duas marcas em terra com azimute verdadeiro 047°. A declinação da carta, atualizada para o ano, é 1° W. A tabela de desvios da tua agulha dá 1° W para proas perto de 045°. Depois corres uma base medida de 1,0 milha, nos dois sentidos, com o motor sempre no mesmo regime. O odómetro marca 6,0 nós nas duas passagens; num sentido demoras 10 min e no outro 12 min. (Valores do exercício.)
Antes de ler a solução: o que faria?
Verdadeiro ou falso?
Decide cada frase antes de ver a resposta.
Identifica cada luz pela característica e, nos setores, pela cor que vês; Portugal está na Região A da IALA.
A posição de estima já inclui a corrente.
Mede abaixo do transdutor, salvo se lhe configuraste um desvio.
Mede a velocidade e a distância através da água; verifica-o numa base medida, nos dois sentidos.
Uma reta na Mercator é uma loxodromia: segues-a com rumo constante e medes a distância na escala de latitudes.
A estima usa a proa e o odómetro; a posição estimada junta a corrente.
Se o plotter mostra muito pormenor quando amplio, a carta é precisa.
Meço a distância na escala de longitudes, em cima da carta.
Do rumo verdadeiro para o da agulha somo a declinação e o desvio.
O odómetro dá a velocidade sobre o fundo.
Uso o mesmo desvio para todas as proas.
Leste +, oeste −. Da agulha para a carta somas; da carta para a agulha subtrais.
A sonda dá a profundidade desde a superfície.
O GPS dá posições em WGS84; confirma o datum da carta e não confies na sobreampliação.
Exercício: Rumo, estima e posição estimada ao largo de Lisboa
Exercício sem figura: trabalha numa folha ou numa carta da zona. Partes do ponto A, 38°40,0′N 009°30,0′W, ao largo de Cascais, para o ponto B, 38°28,0′N 009°30,0′W, ao largo e a oeste-noroeste do cabo Espichel. Velocidade através da água: 6 nós. Declinação: 1° W. Tabela de desvios: proa 180° → +2° (2° E). Às 10:00 estás em A e o odómetro marca 23,4.
Passo a passo
Que distância há de A a B?
Mostrar a solução
A e B têm a mesma longitude. Diferença de latitude: 38°40,0′ − 38°28,0′ = 12,0′. Cada minuto de latitude é uma milha: 12,0 milhas.
Qual é o rumo verdadeiro de A para B?
Mostrar a solução
Mesma longitude e B mais a sul: segues o meridiano para sul, 180°.
A 6 nós, quantas horas levas de A a B?
Mostrar a solução
Tempo = distância ÷ velocidade = 12 ÷ 6 = 2 horas.
Que rumo da agulha governas?
Mostrar a solução
Da carta para a agulha SUBTRAIS: rumo da agulha = verdadeiro − declinação − desvio = 180° − (−1°) − (+2°) = 180 + 1 − 2 = 179°. Prova, da agulha para a carta somando: 179 + 2 − 1 = 180°.
Às 11:00 o odómetro marca 29,4. Que distância percorreste através da água?
Mostrar a solução
Leitura final − leitura inicial = 29,4 − 23,4 = 6,0 milhas.
Qual é a posição de estima às 11:00?
Mostrar a solução
6,0 milhas para sul são 6,0′ de latitude: 38°40,0′ − 6,0′ = 38°34,0′N. A longitude não muda: 009°30,0′W.
Na última hora houve uma corrente para 090° de 1,0 nó. Quantas milhas te deslocou?
Mostrar a solução
Deslocamento = velocidade da corrente × tempo = 1,0 × 1 = 1,0 milha, para leste (a corrente nomeia-se para onde corre).
Qual é a posição estimada às 11:00?
Mostrar a solução
A corrente leva-te 1,0 milha para leste. A 38°34′N, um minuto de longitude mede cerca de 0,78 milhas, por isso 1,0 milha são cerca de 1,3′. Para leste, a longitude oeste diminui: 009°30,0′ − 1,3′ = 009°28,7′W. Na carta basta traçar 1,0 milha para 090° a partir da estima, medida na escala de latitudes.
Às 11:00, com a proa de agulha 179°, tiras com a agulha de governo o azimute do farol do cabo Espichel: 126°. Que azimute verdadeiro traças?
Mostrar a solução
Da agulha para a carta SOMAS, com os sinais: o desvio é o da proa a que vais (proa perto de 180°: +2°) e a declinação é −1°. 126 + 2 − 1 = 127°. Traça a linha de 127° a passar pelo farol: estás algures nela. Compara-a com a posição estimada; se passar longe, desconfia da estima.
Agora sozinho
Sem figura. Partes do ponto C, 41°10,0′N 008°50,0′W, ao largo de Leixões, para o ponto D, 41°25,0′N 008°50,0′W, ao largo da Póvoa de Varzim. Velocidade através da água: 5 nós. Declinação: 2° W. Tabela de desvios: proa 000° → −1° (1° W). Às 08:00 estás em C.
Que distância há de C a D?
A 5 nós, quantas horas levas?
Que rumo da agulha governas para o rumo verdadeiro 000°?
Entre as 08:00 e as 09:00 houve uma corrente para 270° de 0,8 nós. Quantas milhas te deslocou?
Qual é a posição estimada às 09:00?
Com a proa de agulha 003°, tiras com a agulha de governo o azimute de uma marca em terra: 095°. Que azimute verdadeiro traças?
Verificação: 10 perguntas
Perguntas deste bloco, com a explicação depois de cada resposta.
Com o Exam Pass: as 34 perguntas deste bloco.
Para saber mais
A explicação completa e as lições de cada ponto do programa
A Terra, a milha e a carta de Mercator
A Terra é quase uma esfera, um pouco achatada nos polos. O equador divide-a em hemisfério norte e sul. Os meridianos vão de polo a polo, e o meridiano de Greenwich é a origem das longitudes. Medes os arcos em graus e minutos: 1° = 60′.
A latitude vai de 0° a 90°, para norte ou para sul do equador. A longitude vai de 0° a 180°, para leste ou para oeste de Greenwich. A costa oeste de Portugal continental fica perto dos 9° W.
Um minuto de latitude mede uma milha náutica (1852 m). Um nó é uma milha por hora. Um minuto de longitude só mede uma milha no equador: à latitude de Lisboa mede cerca de 0,78 milhas, e encolhe para os polos.
Na carta de Mercator, os meridianos são retas paralelas e as latitudes crescem para os polos. Por isso medes as distâncias na escala de latitudes, à altura da pernada. Uma reta na carta é uma loxodromia: corta todos os meridianos com o mesmo ângulo, e segues-a com um rumo constante.
- Direções no mar: de 000° a 359°, no sentido dos ponteiros do relógio, a partir do norte. Norte 000°, leste 090°, sul 180°, oeste 270°.
- Proa: para onde aponta a embarcação. Rumo: a direção que ela segue. Abatimento: o vento empurra-te para sotavento, e o rumo à superfície afasta-se da proa.
- Distância = velocidade × tempo: 6 nós durante 2 horas são 12 milhas.
- Escala: a 1:50 000, 1 cm na carta são 500 m. 1:25 000 é uma escala maior do que 1:150 000 e mostra mais pormenor.
- Das cartas gerais, de pequena escala, às costeiras e aos planos de portos, de grande escala: para entrar num porto, usa a de maior escala.
A agulha: declinação, desvio e as contas
A carta trabalha com direções verdadeiras, referidas ao norte verdadeiro. A agulha aponta para o norte magnético e ainda sofre o magnetismo da própria embarcação. Há por isso duas correções.
A declinação é o ângulo entre o norte verdadeiro e o norte magnético. Depende do lugar e do ano: lê-a na rosa da carta e atualiza-a para o ano em curso com a variação anual indicada. O desvio é o erro causado pelo ferro, pelo motor e pelos aparelhos de bordo. Depende da proa, e lês o valor na tabela de desvios da tua agulha.
Sinais: leste é mais (+), oeste é menos (−). Da agulha para a carta, SOMAS: rumo verdadeiro = rumo da agulha + desvio + declinação. Da carta para a agulha, SUBTRAIS, pela ordem inversa: rumo da agulha = rumo verdadeiro − declinação − desvio. Com os sinais, subtrair uma correção oeste é somar: 090° − (−2°) = 092°.
Os azimutes seguem as mesmas contas. Um azimute tirado com a agulha de governo leva o desvio da proa a que vais, não o do azimute. Usada longe de metais e aparelhos, a agulha de mão costuma ter um desvio pequeno; confirma-o num enfiamento. A declinação aplica-se sempre.
- Verdadeiro ⇄ magnético: declinação. Magnético ⇄ agulha: desvio.
- Exemplo: rumo da agulha 210°, desvio 3° E, declinação 2° W. Rumo verdadeiro = 210 + 3 − 2 = 211°.
- Para verificar a agulha, governa ao longo de um enfiamento da carta. Azimute verdadeiro − declinação (com o sinal) = azimute magnético. Magnético − leitura da agulha = desvio dessa proa.
- Se o desvio que encontras não bate com a tabela, procura metal ou aparelhos novos perto da agulha: telemóvel, ferramentas, altifalantes. Uma bolha na agulha ou uma rosa que prende pedem revisão; a compensação é trabalho de um compensador.
Saber onde estás: estima, corrente e linhas de posição
A navegação estimada começa num ponto conhecido, com hora. Com a proa verdadeira e a distância do odómetro, traças a posição de estima. A posição de estima não inclui a corrente.
Para a posição estimada, juntas a corrente. A partir da estima, traças a direção para onde a corrente corre e a distância que te desloca (velocidade × tempo). Uma corrente de 1 nó para 090° durante 1 hora desloca-te 1 milha para leste.
A confiança na posição diminui com o tempo desde a última posição observada: os erros de proa, de odómetro, de abatimento e de corrente vão-se somando. Perto da costa, confirma sempre com linhas de posição: um enfiamento, um azimute, uma distância ou uma batimétrica. Duas linhas cruzadas perto de 90° dão uma posição; uma terceira dá a verificação.
Na navegação costeira e em águas restritas, a navegação visual é a tua melhor ferramenta. Um enfiamento não tem os erros da agulha nem os do GPS. Usa o plotter para confirmar o que vês, não para o substituir.
- Faróis: identifica-os pela característica, com ritmo, cor e período. Fl: relâmpagos. Oc: ocultações, com a luz mais longa do que a escuridão. Iso: luz e escuridão iguais. Q: relâmpagos rápidos. Exemplo: Fl(3) 15s.
- Luzes de setores: os limites estão em azimutes verdadeiros tomados do mar. A cor que vês diz-te em que setor estás. Nunca navegues sobre o limite de um setor.
- Balizagem: Portugal está na Região A da IALA. Ao entrar vindo do mar, encarnado a bombordo e verde a estibordo. Cardeais: norte Q ou VQ contínuo; leste Q(3) ou VQ(3); sul Q(6)+LFl ou VQ(6)+LFl; oeste Q(9) ou VQ(9).
- Erros comuns: ler a recíproca (180° ao contrário), trocar o sinal da declinação, medir na escala de longitudes, esquecer a hora de verão, introduzir mal um waypoint.
Instrumentos: odómetro, GPS, cartas eletrónicas e sonda
O odómetro mede a velocidade e a distância através da água. Verifica-o numa base medida, de distância conhecida: percorre-a nos dois sentidos, com o motor no mesmo regime, e cronometra. A média das duas velocidades sobre o fundo anula uma corrente constante e dá a velocidade real através da água; compara-a com o odómetro.
O GPS dá posições com poucos metros de erro a céu aberto. Uma má geometria dos satélites (HDOP alta), o multitrajeto junto a estruturas altas, interferências e uma antena mal instalada podem piorá-las sem aviso claro. Um algarismo mal introduzido num waypoint põe-no a milhas.
As posições do GPS estão normalmente em WGS84. Confirma nas notas da carta o datum dela. Se a carta indicar uma translação para posições obtidas por satélite, aplica-a antes de marcar a posição. Nas cartas eletrónicas, ampliar além da escala dos dados (sobreampliação) não acrescenta pormenor, e com a imagem reduzida podem desaparecer rochas pequenas.
A sonda mede o tempo de ida e volta do som e dá a profundidade abaixo do transdutor, salvo se lhe configurares um desvio para a quilha ou para a superfície. Verifica-a com um prumo de mão, no mesmo sítio, ou num ponto conhecido: sonda da carta mais altura de maré.
- Fator de correção do odómetro = distância real ÷ distância do odómetro. Exemplo: 9,0 ÷ 10,0 = 0,9.
- Carta raster: imagem digitalizada de uma carta. Carta vetorial: cada elemento guardado como dados. A ENC é a carta vetorial oficial; a maioria dos plotters de recreio usa cartas privadas feitas a partir de dados oficiais.
- Verifica a rota no plotter com várias ampliações e leva carta em papel atualizada da tua zona.
- Na esteira ou com mar picado, as bolhas de ar debaixo do transdutor dão leituras erráticas na sonda.
Lições deste bloco
- A3 Forma e dimensões da Terra; latitude e longitude; milha e nó; proa, rumo e abatimento; medição de distâncias e velocidades
- A4 Cartas de navegação; carta de Mercator, escalas e classificação; derrota loxodrómica; linhas de posição: enfiamento, alinhamento, azimute, distância, batimétrica
- A5 Odómetros; verificação do seu funcionamento
- A6 Magnetismo terrestre; declinação e desvio; agulhas de mão e de governo; tabelas de desvio; verificação de uma agulha
- A7 Faróis e balizagem
- A8 Navegação estimada, costeira e em águas restritas; efeitos das correntes; confiança na posição; navegação visual; erros em navegação
- A11 GPS; erros e noção de datum; cartas eletrónicas e sua utilização
- A12 Sondas; utilização e verificação do seu funcionamento
Fontes
- Portaria n.º 288/2000, anexo 1, n.º 1-III, A3–A8, A11 e A12 (curso de Patrão Local) e n.º 2 (navegação e cartografia: pelo menos 75 %) · consultado
- DGRM — Navegadores de recreio (Patrão Local: à vista da costa, até 25 milhas de um porto de abrigo e 6 milhas da costa) · consultado
- IALA — Maritime Buoyage System (recomendação R1001), Região A, e características das luzes · consultado
Revisto : Chartwork numbers recomputed and checked against Portaria 288/2000 (anexo 1, A3–A8, A11–A12), IALA R1001 Região A and real positions off Lisboa and Leixões; AI review, not a licensed human examiner.

