Bloco 2 de 5

Marés e cálculo da sonda à hora

A navegação e o trabalho de carta pedem pelo menos 75 %. Na Carta de Marinheiro passavas perto da preia-mar; agora calculas a que horas há água bastante, com a tabela do Instituto Hidrográfico ou com a regra dos duodécimos, e corriges pelo tempo.

Estuário português na baixa-mar, com bancos de areia a descoberto e uma boia verde cónica a marcar o canal
Fotografia gerada com uma ferramenta de imagem (ChatGPT)

Decide

Quatro situações no mar. Primeiro decides, depois lês porquê.

Mãos com um compasso de pontas e um lápis sobre uma carta náutica, ao lado de uma régua de paralelas
Fotografia gerada com uma ferramenta de imagem (ChatGPT)

A BM é às 10:25 e a PM às 16:54 (UTC). Vais usar a regra dos duodécimos. Quanto dura cada hora de maré?

O essencial

  1. A tabela, para fazer contasHoras em UTC; alturas acima do zero hidrográfico; amplitude = PM − BM; duração = da BM à PM.
    1. Calcula em UTC e converte para hora legal só no fim (no verão, +1 h).
    2. Profundidade = sonda + altura; sobre um banco que descobre, altura − sonda a descobrir.
    3. Marés vivas perto da lua nova e cheia; mortas perto dos quartos.
    Ler uma tabela de marés portuguesa
  2. A sonda à hora: o Anexo ADuração, amplitude e intervalo desde a BM: a tabela dá a correção que somas à altura da BM.
    1. Exemplo do §109: entras com os valores mais próximos da tabela (06:30, 02:23, 2,5 m) e lês 0,74 m; 0,8 + 0,74 = 1,54 m, cerca de 1,5 m.
    2. Ao contrário, dá a hora a que a maré chega a uma altura.
    3. Supõe uma maré sinusoidal: é uma estimativa.
    Marés a fundo: curvas de maré e folgas
  3. Regra dos duodécimos1, 2, 3, 3, 2, 1 duodécimos da amplitude, em seis horas de maré iguais (duração ÷ 6, por aproximação).
    1. Ao fim de 3 horas de maré, metade da amplitude.
    2. A água sobe mais depressa na 3.ª e na 4.ª horas.
    3. É uma aproximação: no exemplo do §109 dá cerca de 1,6 m contra 1,54 m (≈ 1,5 m) da tabela.
    Marés e alturas, com a calculadora dos duodécimos
  4. Folga, barras e tempoAltura mínima = calado + margem − sonda (ou + sonda a descobrir).
    1. Com ondulação, numa barra, aumenta bastante a margem.
    2. 10 hPa mexem o nível cerca de 0,09 m: pressão baixa sobe a água, alta desce-a.
    3. Vento do mar para terra acumula água; vento de terra baixa o nível.
    4. Consulta o estado das barras da AMN: aberta, condicionada ou fechada.
    Porque há marés: Lua, Sol, vivas e mortas
  5. Correntes nos estuáriosA enchente entra, a vazante sai; o estofo fica perto da inversão, que nem sempre coincide com a PM ou a BM.
    1. Marés vivas trazem geralmente correntes mais fortes.
    2. Vazante contra a ondulação ou o vento: mar curto e rebentado na barra.
    3. A força e a hora da corrente vêm da carta, do roteiro e das publicações do local.
    Correntes de maré: escolher a hora de passagem

Verifica o que leste

Pergunta 1/3

Em que fuso estão as horas da Tabela de Marés do Instituto Hidrográfico?

Caso resolvido: O exemplo do §109: a altura de maré às 13:00

O §109 da Tabela de Marés do Instituto Hidrográfico traz este exemplo, em Lisboa, a 20 de janeiro de 2022, com horas em TU: BM às 10:34 com 0,8 m e PM às 16:58 com 3,3 m. Queres saber a altura de maré às 13:00.

Antes de ler a solução: o que faria?

    Verdadeiro ou falso?

    Decide cada frase antes de ver a resposta.

    1. Cada hora de maré dura 60 minutos.

    2. Altura mínima = calado + margem − sonda (ou + sonda a descobrir).

    3. A corrente inverte-se à hora da preia-mar e da baixa-mar.

    4. Com pressão baixa há menos água.

    5. Horas em UTC; alturas acima do zero hidrográfico; amplitude = PM − BM; duração = da BM à PM.

    6. A amplitude é a altura da preia-mar.

    7. 1, 2, 3, 3, 2, 1 duodécimos da amplitude, em seis horas de maré iguais (duração ÷ 6, por aproximação).

    8. Duração, amplitude e intervalo desde a BM: a tabela dá a correção que somas à altura da BM.

    9. Somo uma hora a cada hora da tabela e outra vez ao resultado.

    10. A regra dos duodécimos dá a altura exata.

    11. A enchente entra, a vazante sai; o estofo fica perto da inversão, que nem sempre coincide com a PM ou a BM.

    12. Para passar um banco que descobre, basta uma altura de maré igual ao calado mais a margem.

    Exercício: A que horas passas o banco: a sonda à hora

    Lisboa, sábado, 1 de agosto de 2026. A Tabela de Marés dá, em UTC: BM às 10:25 com 0,8 m e PM às 16:54 com 3,6 m. A tua lancha cala 0,9 m e queres 0,5 m de água debaixo da quilha. Para chegar à praia tens de passar um banco com sonda a descobrir de 0,6 m. Usa a regra dos duodécimos (1, 2, 3, 3, 2, 1).

    Passo a passo

    1. Quanto dura a enchente, em minutos?

      Mostrar a solução

      16:54 − 10:25 = 6 h 29 min = 389 min. Trabalha em UTC, como a tabela.

    2. Qual é a amplitude, em metros?

      Mostrar a solução

      Amplitude = PM − BM = 3,6 − 0,8 = 2,8 m.

    3. Quanto dura cada hora de maré, em minutos?

      Mostrar a solução

      A enchente não dura 6 h certas. A regra divide-a em seis horas de maré iguais, uma aproximação: 389 ÷ 6 ≈ 64,8 min.

    4. Qual é a altura de maré no fim da 3.ª hora de maré depois da BM?

      Mostrar a solução

      1 + 2 + 3 = 6/12, metade da amplitude: 2,8 ÷ 2 = 1,4 m. Altura = 0,8 + 1,4 = 2,2 m, por volta das 13:40 UTC (10:25 + 3 × 64,8 min).

    5. De que altura de maré precisas para passar o banco?

      Mostrar a solução

      Água de que precisas: 0,9 + 0,5 = 1,4 m. Sobre o banco a água é a altura menos 0,6 m, por isso a altura tem de ser 1,4 + 0,6 = 2,0 m.

    6. Quantos minutos depois da BM chega a maré aos 2,0 m?

      Mostrar a solução

      Tem de subir 2,0 − 0,8 = 1,2 m. Ao fim de 2 horas de maré subiu 3/12 × 2,8 = 0,7 m; faltam 0,5 m. A 3.ª hora sobe 3/12 × 2,8 = 0,7 m, por isso precisas de 0,5 ÷ 0,7 ≈ 0,714 dela: 0,714 × 64,8 ≈ 46,3 min. Total: 2 × 64,8 + 46,3 ≈ 176 min (2 h 56 min). Repartir a 3.ª hora em partes iguais também é uma aproximação.

    7. A partir de que hora legal podes passar o banco?

      Mostrar a solução

      10:25 + 2 h 56 min = 13:21 UTC. Em agosto a hora legal é UTC+1: 14:21. É uma aproximação: os duodécimos supõem uma maré regular e o tempo pode mudar a altura. Passa um pouco depois, com mais água, e vigia a sonda.

    Agora sozinho

    Lisboa, sábado, 3 de janeiro de 2026. A Tabela de Marés dá, em UTC: BM às 08:42 com 0,5 m e PM às 15:10 com 3,5 m. Em janeiro a hora legal no continente é UTC. A tua embarcação cala 1,2 m, queres 0,4 m de margem e tens de passar um banco com sonda a descobrir de 0,3 m. Usa a regra dos duodécimos.

    1. Quanto dura a enchente, em minutos?

    2. Qual é a amplitude, em metros?

    3. Quanto dura cada hora de maré, em minutos?

    4. Qual é a altura de maré no fim da 2.ª hora de maré depois da BM?

    5. De que altura de maré precisas para passar o banco?

    6. Quantos minutos depois da BM chega a maré aos 1,9 m?

    7. A partir de que hora legal podes passar o banco?

    8. Há vários dias que está uma alta pressão de 1033 hPa. O que fazes?

    Verificação: 10 perguntas

    Perguntas deste bloco, com a explicação depois de cada resposta.

    Com o Exam Pass: as 32 perguntas deste bloco.

    Para saber mais

    A explicação completa e as lições de cada ponto do programa

    A tabela, agora para fazer contas

    Na Carta de Marinheiro aprendeste a ler a Tabela de Marés do Instituto Hidrográfico. Agora vais usá-la para calcular. As horas estão em UTC («Horas do Fuso: 0 (TU)») e, no continente, no verão, a hora legal é UTC+1. Faz todas as contas no fuso da tabela e converte só no fim, uma vez.

    As alturas são metros acima do zero hidrográfico (ZH), o mesmo zero das sondas das cartas portuguesas. Profundidade = sonda + altura de maré. Sobre um banco que descobre (o número sublinhado na carta), a água é a altura de maré menos a sonda a descobrir.

    Duas grandezas entram em todas as contas. A amplitude é a diferença entre uma preia-mar (PM) e a baixa-mar (BM) seguinte ou anterior. A duração é o tempo da enchente (da BM à PM) ou da vazante (da PM à BM). Em Lisboa andam perto das seis horas, mas quase nunca são seis horas certas.

    As alturas de PM e BM vêm truncadas ao decímetro, e o Instituto Hidrográfico avisa que a maré observada se afasta muitas vezes mais de 0,1 m da prevista. Nenhuma conta te dá o centímetro: arredonda o resultado e guarda margem.

    • Marés vivas, perto da lua nova e da lua cheia: grande amplitude, PM mais altas e BM mais baixas.
    • Marés mortas, perto dos quartos crescente e minguante: pequena amplitude.
    • Na maior parte dos dias há duas PM e duas BM; a maré atrasa cerca de 50 minutos por dia.

    A sonda à hora: altura a uma hora e hora para uma altura

    O Instituto Hidrográfico ensina, no §109 da tabela, um método com a tabela do Anexo A. Calculas a duração da enchente, a amplitude e o intervalo entre a BM e a hora que te interessa. Com estes três valores, a tabela dá uma correção que somas à altura da BM.

    A mesma tabela funciona ao contrário. Se queres saber a que horas a maré chega a uma altura, calculas a correção de que precisas (altura pretendida − altura da BM), entras com a duração e a amplitude e lês o intervalo. Somado à hora da BM, dá a hora procurada.

    A tabela supõe que a maré sobe e desce como uma curva regular (sinusoidal). A maré real não é exatamente assim: o resultado é uma boa estimativa, não uma certeza.

    A bordo usa-se muito a regra dos duodécimos, também uma aproximação. Divides a enchente (ou a vazante) em seis «horas de maré» iguais e, em cada uma, a água sobe 1, 2, 3, 3, 2 e 1 duodécimos da amplitude. Se a duração não é de seis horas, toma como hora de maré a duração ÷ 6: é uma convenção da regra, não uma medida, e também é uma aproximação.

    • Ao fim de 1 hora de maré subiu 1/12 da amplitude; de 2, 3/12; de 3, 6/12 (metade); de 4, 9/12; de 5, 11/12; de 6, toda.
    • A água sobe e desce mais depressa na 3.ª e na 4.ª horas de maré: aí, um erro na hora custa mais água.
    • No exemplo do §109 (Lisboa, 20 de janeiro de 2022) a tabela dá 1,54 m (≈ 1,5 m) e os duodécimos cerca de 1,6 m: quase o mesmo.

    Folga debaixo da quilha, barras e tempo

    Água de que precisas = calado + margem de segurança. A margem cobre a ondulação, o afundamento da embarcação em andamento e os erros da previsão. A altura de maré mínima é a água de que precisas menos a sonda; sobre um banco que descobre, é a água de que precisas mais a sonda a descobrir.

    Numa barra com ondulação a embarcação desce nas cavas: deixa muito mais margem e escolhe a hora com mais água.

    A tabela assume tempo médio. O Instituto Hidrográfico indica que uma variação de 10 hPa mexe o nível cerca de 0,09 m: a pressão baixa faz subir a água e a alta faz descer. O vento forte do mar para terra acumula água; o vento de terra baixa o nível; e o vento também adianta ou atrasa as horas.

    Antes de sair por uma barra portuguesa, consulta o estado das barras publicado pela Autoridade Marítima Nacional: aberta, condicionada ou fechada.

    • Não uses a água extra de uma baixa pressão para cortar margem: o tempo também pode tirar água.
    • Nas rias e nos estuários, as cheias dos rios fazem subir o nível e as secas fazem-no descer.

    Correntes de maré nos estuários

    A corrente de maré é o movimento horizontal da água causado pela maré. Num estuário, a enchente é a corrente que entra e a vazante a que sai para o mar. O estofo é o período de corrente fraca ou nula, geralmente perto da inversão.

    As fases da corrente nem sempre coincidem com a PM e a BM: num estuário, a corrente pode continuar a entrar ou a sair depois da preia-mar ou da baixa-mar. Para saberes quando inverte e com que força corre, usa a carta, o roteiro e as publicações oficiais do local. Não adivinhes.

    Com amplitudes maiores, nas marés vivas, as correntes são geralmente mais fortes. Junto aos cabos e nas passagens estreitas, a corrente acelera.

    A vazante a sair contra a ondulação ou contra o vento torna o mar da barra mais curto, íngreme e rebentado. Com ondulação, prefere passar a barra com a enchente e perto da preia-mar: há mais água e a corrente segue no sentido da ondulação.

    • O vento nomeia-se pela direção de onde vem; a corrente, pela direção para onde vai.
    • Vento contra corrente: mar curto e cavado. Vento e corrente no mesmo sentido: ondas mais longas e baixas.

    Lições deste bloco

    Fontes

    Revisto : Reviewed against the Instituto Hidrográfico Tabela de Marés 2026 (§103–§109, Porto de Lisboa pages) and Portaria 288/2000 anexo 1; every time, height and duodécimos figure recomputed; AI review, not a licensed human examiner.