Depois do incêndio: investigação, relatórios e manutenção
1A lição em palavras simples
Depois de extinguir o fogo, descobre porque começou, comunica o ocorrido e repõe todo o equipamento em prontidão antes do próximo.
Preservar as provas
Pede à ponte que guarde os dados do registador de dados de viagem (VDR) e o registo da central de incêndio logo que possível. Não esperes pelo fim do fogo. Depois de extinto e com o compartimento seguro, protege o local e restringe o acesso. Fotografa antes de limpar. Guarda peças danificadas, como mangueiras, filtros e cabos. Recolhe depoimentos curtos e separados das testemunhas enquanto a memória está fresca.
Encontrar a causa
Identifica o ponto de origem, onde começou o fogo, comparando os danos com alarmes, testemunhos, registos das máquinas e cronologia. Combustão profunda ou a baixa altura é um indício, não prova: ventilação, distribuição do combustível, materiais caídos e extinção podem enganar-te. Identifica o combustível e a possível fonte de ignição sem alterar as provas. Pergunta por que razão o equipamento ou os procedimentos permitiram o contacto entre o combustível e a fonte de ignição. Regista as incertezas. O objetivo é prevenir, não culpar.
Relatórios
Comunica segundo o sistema de gestão da segurança (SMS): relatório interno de acidente nos termos da secção 9 do Código Internacional de Gestão da Segurança (Código ISM), entrada no diário de bordo e comunicação do acidente ao Estado de bandeira. Um incêndio grave pode ser investigado pelo Estado de bandeira segundo o Código de Investigação de Acidentes. Relatórios claros e factuais permitem à companhia corrigir a causa em toda a frota.
Manter o equipamento pronto
A SOLAS II-2/14 exige um plano de manutenção dos sistemas de proteção contra incêndios. O conteúdo mínimo decorre da MSC.1/Circ.1432 da OMI, na redação atual, e, para sistemas de CO₂, da MSC.1/Circ.1318/Rev.1. A tripulação faz muitas verificações: testes semanais da central e alarmes e inspeções mensais de mangueiras e extintores. Outras exigem uma pessoa competente ou empresa de manutenção, como os ensaios hidrostáticos (testes de pressão) das garrafas. Como oficial, planeias, verificas e registas o trabalho.
Após a utilização
Repõe prontamente o equipamento: enche garrafas de ARA, faz a manutenção dos extintores usados, inspeciona mangueiras e restabelece a deteção. Comunica cada atuação de um sistema fixo. Verifica a reserva de agente, bombas, comandos, válvulas e cobertura segundo as instruções antes de o declarares pronto. Uma bateria de CO₂ descarregada precisa de recarga. Comunica imediatamente qualquer indisponibilidade. A companhia tem de organizar a reposição e os acordos exigidos com a bandeira e a sociedade classificadora sobre precauções temporárias ou restrições operacionais.
2Dados-chave
- Semanalmente
- Teste de lâmpadas da central; alarme geral e instalação sonora a funcionar
- Mensalmente
- Testar uma amostra de detetores, cobrindo todos em 5 anos
- Anualmente
- Qualidade do ar do compressor dos ARA; máscaras e válvulas de chamada dos ARA
- Conteúdo das garrafas de CO₂
- A cada 2 anos (navios de carga: nas vistorias); recarregar abaixo de 90 %
- Ensaios de pressão das garrafas de CO₂
- Pelo menos 10 % aos 10 anos; todas até aos 20 anos
- Plano de manutenção
- SOLAS II-2/14; MSC.1/Circ.1432 na redação atual
3Pontos-chave
- 1
Preserva provas antes de limpar: fotografias, registo da central, VDR, peças danificadas e depoimentos.
- 2
Determina a origem com provas que se confirmem entre si. Os danos mais profundos, isoladamente, não provam a origem.
- 3
Procura a causa no sistema, não só na pessoa. O objetivo é prevenir.
- 4
Comunica segundo o SMS (secção 9 do ISM) e ao Estado de bandeira.
- 5
Mantém o plano de manutenção atualizado e repõe todo o equipamento logo após a utilização.
4Erros frequentes
Erro: Limpa imediatamente a casa das máquinas para o navio parecer pronto.
Correto: Fotografa e preserva primeiro o local. A limpeza destrói provas da causa.
Erro: A investigação termina quando descobres quem cometeu o erro.
Correto: Pergunta porque o sistema o permitiu: falta de isolamento térmico, procedimento inadequado, pouco tempo. Corrige isso.
5Caso prático e chaves de exame
Um incêndio no motor do gerador foi extinto pelo sistema local de água nebulizada e por um extintor de espuma. O segundo maquinista quer limpar a zona e voltar a ligar o gerador antes do próximo porto. Há isolamento queimado no convés, sob uma tubagem de combustível.
Ver a resposta
Ainda não limpes. Fotografa, guarda o isolamento queimado e os acessórios relevantes e preserva registos de alarmes e dados VDR. Recolhe depoimentos. Mantém o gerador isolado até uma inspeção competente determinar a causa, corrigir falhas e confirmar o funcionamento seguro. Uma fuga de combustível sobre superfície quente é só uma hipótese. Recarrega o extintor, verifica alimentação e funcionamento do sistema de água nebulizada antes de o repor e comunica segundo o SMS.
Chaves de exame
- Preservar o local: fotografias, registo da central de incêndio, VDR, peças danificadas e depoimentos.
- Determinar a origem com provas concordantes; danos mais profundos, por si só, não provam a origem. Identificar combustível e fonte de ignição.
- Relatórios: interno pela secção 9 do ISM, diário de bordo, Estado de bandeira; Código de Investigação de Acidentes.
- Plano de manutenção: SOLAS II-2/14; MSC.1/Circ.1432 e MSC.1/Circ.1318/Rev.1 para CO₂.
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