Vento e ondas: vento real, estado do mar, vaga e ondulação
1A lição em palavras simples
Comunica o vento real, não o que sentes num convés em movimento, e separa a vaga de cada ondulação pela direção, período e altura.
Vento aparente e real
O anemómetro mede o vento aparente, o escoamento do ar em relação ao navio em movimento. Comunica o vento real em relação à Terra: velocidade média em nós e direção de onde sopra, em graus verdadeiros, nos dez minutos anteriores à observação. Converte as marcações relativas usando a proa verdadeira, a direção para onde aponta a proa. Depois soma o rumo sobre o fundo (COG) e a velocidade sobre o fundo (SOG) do navio como vetor velocidade. O TurboWin+ pode calcular isto; verifica os dados de entrada.
Exemplo resolvido
Admite que não há corrente nem abatimento, o desvio lateral pelo vento: proa e COG 000°, SOG 15 nós. O vento aparente é de 25 nós a 30° pela amura de estibordo. O ar passa por ti para 210° a 25 nós: 21,7 nós para sul e 12,5 para oeste. Soma o teu movimento, 15 nós para norte: o ar move-se 6,7 nós para sul e 12,5 para oeste. A velocidade é √(6,7² + 12,5²) ≈ 14 nós, para 242°. O vento real é de cerca de 14 nós de 062°.
Estimar pelo mar
Sem anemómetro fiável, ou para conferir, usa o estado do mar, o aspeto das ondas e dos carneiros de espuma, para estimar o vento pelas descrições de Beaufort. O aspeto do mar estima o vento em relação à água; correntes fortes podem afetar a comparação. Avalia uma área ampla, não a onda de proa. Considera que o mar pode ainda não ter respondido a uma mudança súbita do vento e que a corrente contrária às ondas as torna mais cavadas.
Vaga e ondulação
A vaga é gerada pelo vento local: cristas curtas e cavadas que avançam com ele. A ondulação vem de ventos distantes: ondas mais longas, suaves e regulares, muitas vezes de outra direção. Comunica-as separadamente: a vaga pelo período e altura; cada sistema de ondulação, até dois, pela direção de onde vem, período e altura. A propagação e o período da ondulação são tratados em Previsão a bordo.
Medir as ondas
Mede o período, o tempo entre cristas, numa mancha de espuma à deriva com a água. Cronometra da primeira à décima primeira crista: são dez intervalos, por isso divide por dez. Cronometrar cristas que passam por um navio em movimento dá antes um período de encontro. Estima a altura significativa das ondas: aproximadamente a altura média, da cava à crista, do terço das ondas mais altas. Comunica a vaga e cada ondulação separadamente. Usa o bordo livre, a altura do costado acima da água, como escala. Ignora a esteira do navio e observa em segurança.
2Dados-chave
- Vento real
- Relativo à Terra; média de 10 minutos, nós, direção de origem em graus verdadeiros
- Exemplo resolvido
- Proa/COG 000°, SOG 15 kn; 25 kn, 30° pela amura de estibordo → ≈14 kn de 062°
- Estado do mar
- Estima o vento sobre a água; considera correntes e atraso na resposta
- Vaga
- Período e altura
- Ondulação
- Até dois sistemas: direção, período e altura
3Pontos-chave
- 1
Para o vento real, converte as marcações com a proa; soma a velocidade vetorial sobre o fundo ao movimento aparente do ar.
- 2
As direções indicam de onde vêm o vento e a ondulação, em graus verdadeiros.
- 3
Estima o vento pelo estado do mar numa área ampla, não pela onda de proa.
- 4
Comunica a vaga e cada sistema de ondulação separadamente.
4Erros frequentes
Erro: Comunica a leitura do anemómetro; os meteorologistas corrigem o movimento do navio.
Correto: O boletim tem de indicar o vento real. Converte-o, ou deixa o programa do diário fazê-lo, e confere o resultado.
Erro: A altura das ondas é a maior onda que viste durante a observação.
Correto: Estima a altura média do terço mais alto, excluindo a esteira do navio; comunica a vaga e a ondulação separadamente.
5Caso prático e chaves de exame
Admite que não há corrente nem abatimento: proa e COG 090°, SOG 12 nós. O anemómetro indica 12 nós de vento aparente pela proa. Qual é o vento real?
Ver a resposta
Calmaria. Um vento de 12 nós pela proa é exatamente o que a tua SOG de 12 nós produz em ar parado. Soma a velocidade vetorial do navio sobre o fundo ao movimento aparente do ar: 12 nós para oeste mais 12 para este dão zero. Não uses o aspeto do mar para confirmar a calmaria: a ondulação ou a vaga residual podem persistir depois de o vento cair. Comunica calmaria, não 12 nós de 090°.
Chaves de exame
- Vento real: roda as marcações relativas usando a proa e soma a velocidade vetorial do navio sobre o fundo ao movimento aparente do ar.
- O estado do mar estima o vento relativo à água; considera correntes e atraso na resposta.
- Ondas: vaga (período, altura) e até duas ondulações (direção, período, altura).
Termina esta unidade
Quando a tiveres lido, associa os termos e depois responde a três perguntas. Acerta em tudo para concluir a unidade; só abrir a página não conta.
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