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Feridas, queimaduras e fraturas

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Saúde a bordo≈ 4 min de leitura

Lesões da cabeça e suspeita de lesão da coluna

1A lição em palavras simples

Numa frase

Após uma pancada na cabeça, vigia sinais de alerta e pede aconselhamento. Se houver suspeita de lesão do pescoço ou costas, mantém a vítima imóvel; a via aérea tem sempre prioridade.

Lesões da cabeça a bordo

Uma retranca, escotilha ou queda nos degraus de acesso à cabina pode causar lesões da cabeça. Uma concussão é uma lesão cerebral que pode provocar dor de cabeça, tonturas, confusão, náuseas ou perda de consciência; os sintomas podem persistir. Garante que um adulto responsável fica com a vítima durante pelo menos 24 horas. Impede-a de governar (dirigir o barco), subir ou trabalhar no convés; só deve retomar tarefas de risco após recuperação e aconselhamento médico.

Sinais de alerta

Pede aconselhamento médico urgente por rádio após qualquer perda de consciência ou convulsão (por exemplo, movimentos bruscos involuntários). Outros sinais de alerta são sonolência, dificuldade em acordar, dor de cabeça crescente, vómitos repetidos, confusão, comportamento invulgar, fraqueza, dormência, pupilas de tamanhos diferentes ou sangue ou líquido transparente pelo nariz ou ouvidos. Podem indicar hemorragia dentro do crânio. Regista os sinais e as horas.

Quando suspeitar de lesão da coluna

Suspeita de lesão do pescoço ou costas após uma queda para a cabina ou do mastro, uma pancada forte da retranca, um mergulho em água pouco profunda ou um esmagamento. Dor no pescoço ou costas, formigueiro, dormência ou fraqueza nos membros aumentam a suspeita. Uma vítima inconsciente após uma destas quedas também pode ter uma lesão.

Mantém a vítima imóvel

Pede a uma vítima consciente e alerta que mantenha a cabeça e o pescoço imóveis numa posição confortável e ajuda-a. Nunca a forces a adotar uma posição. Socorristas não especializados não colocam colares cervicais (suportes rígidos para o pescoço): podem causar danos e só são usados por equipas de socorro treinadas, segundo os seus protocolos. Ajoelha-te junto da cabeça e segura-a imóvel se necessário; acolchoa a vítima para limitar os movimentos causados pelo barco.

Primeiro a via aérea

Abrir a via aérea tem prioridade sobre evitar movimentos do pescoço. Se tiveres formação, tenta a subluxação mandibular: põe os dedos atrás dos ângulos da mandíbula (maxilar inferior) e eleva-a para a frente. Se não resultar, inclina suavemente a cabeça para trás e eleva o queixo (extensão da cabeça e elevação do queixo). Se vómito ou sangue obstruírem a via aérea, vira a vítima de lado. Com ajudantes, mantém cabeça, pescoço e corpo alinhados (rolamento em bloco); se estiveres sozinho, vira-a com o máximo cuidado em vez de esperar.

2Dados-chave

Após lesão da cabeça
Vigiar ≥24 h; tarefas de risco só após recuperação e aconselhamento médico
Colares
Não são para socorristas não especializados (ERC 2025)
Via aérea na suspeita de lesão da coluna
Subluxação mandibular se treinado; se falhar, extensão da cabeça e elevação do queixo
Virar
Por risco na via aérea; alinhar com ajuda, não esperar se estiveres sozinho

3Pontos-chave

  1. 1

    Um adulto deve ficar com a vítima pelo menos 24 horas. Sem governar, subir ou trabalhar no convés até recuperação e aconselhamento médico.

  2. 2

    Sonolência, vómitos, dor de cabeça crescente, confusão ou convulsão: aconselhamento urgente.

  3. 3

    Suspeita de lesão da coluna: mantém a vítima imóvel; nunca forces uma posição.

  4. 4

    Socorristas não especializados não colocam colares cervicais.

  5. 5

    Via aérea primeiro: subluxação mandibular se treinado; se falhar, extensão da cabeça e elevação do queixo. Vira por sangue/vómito; não esperes por ajudantes.

4Erros frequentes

  • Erro: Já fala normalmente, por isso a lesão da cabeça não preocupa.

    Correto: Uma hemorragia dentro do crânio pode manifestar-se horas depois. Um adulto deve ficar com a vítima pelo menos 24 horas; pede aconselhamento médico.

  • Erro: Colocar um colar feito de uma toalha enrolada para proteger o pescoço.

    Correto: Colares não são para socorristas não especializados. Pede à vítima que fique imóvel ou segura-lhe a cabeça.

  • Erro: Nunca mover uma possível vítima de lesão da coluna, aconteça o que acontecer.

    Correto: Via aérea primeiro: subluxação mandibular se treinado; extensão da cabeça e elevação do queixo se falhar. Vira de lado por sangue ou vómito; não esperes por ajudantes.

5Caso prático e chaves de exame

Situação

Uma tripulante cai por uma escotilha aberta para o chão da cabina. Está acordada, queixa-se de dor no pescoço e de formigueiro nas mãos. O barco está fundeado e balança.

Ver a resposta

Suspeita de lesão da coluna. Diz-lhe para ficar imóvel e não tentar levantar-se. Ajoelha-te junto da cabeça e ajuda-a a manter a cabeça e o pescoço imóveis numa posição confortável; usa acolchoamento para reduzir os movimentos causados pelo barco. Não coloques um colar. Pede aconselhamento médico por rádio e evacuação, mantém-na quente e vigia a respiração.

Chaves de exame

  • Alertas após lesão da cabeça: sonolência, vómitos, dor de cabeça crescente, confusão, convulsão, pupilas desiguais, líquido pelo nariz ou ouvidos.
  • Vigilância por um adulto durante pelo menos 24 horas; governo, subidas ou trabalho no convés só após recuperação e aconselhamento médico.
  • Suspeita de lesão da coluna: minimiza os movimentos; sem colares para socorristas não especializados.
  • Via aérea primeiro: subluxação mandibular se treinado; extensão da cabeça e elevação do queixo se falhar. Vira só por risco na via aérea; não esperes por ajudantes.

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