Operações de lastro e Convenção BWM
1A lição em palavras simples
O lastro dá calado, caimento e estabilidade a um navio leve. Movê-lo altera a estabilidade e os esforços no casco; a descarga é regulada pela Convenção BWM.
Porquê lastro
A água de lastro nos tanques de duplo fundo, laterais, piques e tanques superiores laterais dá ao navio leve calado para imergir o hélice e o leme, caimento seguro, visibilidade para vante e estabilidade adequada. Lastro abaixo do centro de gravidade existente baixa KG; acima, sobe KG. Alguns graneleiros têm um porão de lastro para mau tempo. Todas as operações seguem o plano de lastro do navio.
Superfície livre durante o lastramento
Um tanque a encher ou esvaziar está parcialmente cheio: tem superfície livre que reduz o GM efetivo (ver o cálculo em Caimento, banda e superfície livre). Mantém o mínimo possível de tanques parcialmente cheios em simultâneo. Opera pares de bombordo e estibordo juntos para manter o navio direito. Verifica GM no pior momento, não só no início e no fim. Tanques largos parcialmente cheios podem causar grandes perdas por superfície livre; usa os valores do caderno.
Resistência durante o lastramento
O lastro altera os esforços transversos e momentos fletores ao longo do casco tanto como a carga. Durante as operações de carga, o lastro deve acompanhar o ritmo de carregamento ou descarga. Bombeia apenas pela ordem e ao ritmo planeados. Atualiza o instrumento de carga com as sondagens reais, profundidades de líquido medidas nos tanques.
A Convenção BWM
O lastro transporta organismos entre portos. A Convenção Internacional para o Controlo e Gestão das Águas de Lastro e Sedimentos dos Navios (BWM), da OMI, exige plano aprovado e livro de registo; a certificação internacional aplica-se normalmente a partir de 400 GT. D-2 fixa limites de descarga, normalmente cumpridos com tratamento aprovado. O prazo final de aplicação faseada foi 8 de setembro de 2024; mantêm-se exceções, isenções e alternativas aprovadas. A substituição D-1 é hoje sobretudo uma contingência, sujeita a aceitação do Estado do porto. Os tamanhos usam micrómetros (µm); os limites microbianos usam ufc, unidades formadoras de colónias.
Substituição e estabilidade
D-1 exige substituir pelo menos 95% do volume; aceita-se bombear três volumes do tanque por fluxo contínuo. B-4 exige ≥200 milhas náuticas (nm) da terra mais próxima e profundidade ≥200 m; se impossível, o mais longe possível, ≥50 nm e ≥200 m, ou uma área designada. Não precisas de desviar ou atrasar a viagem. A substituição sequencial esvazia e enche tanques: verifica estabilidade, calado, caimento e resistência em todas as fases. Segue a sequência aprovada. Omite substituições inseguras; regista o motivo e avisa as autoridades. O fluxo contínuo mantém tanques cheios, mas arrisca sobrepressão.
2Dados-chave
- D-2: organismos viáveis
- ≥50 µm: <10/m³; 10–<50 µm: <10/mL (viáveis)
- D-2: V. cholerae O1/O139 toxigénico
- <1 ufc/100 mL ou <1 ufc/g de zooplâncton húmido
- D-2: micróbios indicadores
- E. coli < 250 ufc/100 mL; enterococos < 100 ufc/100 mL
- Substituição D-1
- 95 % do volume, ou 3 × volume do tanque por fluxo contínuo
- Onde substituir (B-4)
- ≥200 nm/≥200 m; se impossível, ≥50 nm/≥200 m, ou área designada
- Prazo final de aplicação D-2
- 8 de setembro de 2024; mantêm-se as exceções e isenções aplicáveis
3Pontos-chave
- 1
O lastro dá ao navio leve calado, caimento, imersão do hélice, visibilidade para vante e estabilidade.
- 2
Cada tanque parcialmente cheio reduz o GM efetivo: opera poucos de cada vez, em pares de bombordo e estibordo.
- 3
O lastro altera esforços transversos e momentos fletores; acompanha a carga e segue o plano.
- 4
BWM: plano aprovado e livro de registo; tratamento normalmente assegura limites D-2. Contingências D-1 exigem aceitação do Estado do porto.
- 5
Substituição: normalmente ≥200 nm/≥200 m; alternativa ≥50 nm/≥200 m ou área designada. Todas as fases devem ser seguras; omite substituições inseguras.
4Erros frequentes
Erro: Abre todos os tanques de duplo fundo ao mesmo tempo para deslastrar mais depressa.
Correto: Os momentos de superfície livre dos vários tanques somam-se. Opera poucos tanques de cada vez, em pares, e verifica GM na pior fase.
Erro: O tratamento avariou, por isso substituímos o lastro tanque a tanque pelo caminho.
Correto: Comunica a avaria e acorda uma contingência aceite antes da descarga. A substituição exige aceitação do Estado do porto e segurança em todas as fases; não autoriza automaticamente a descarga.
Erro: O lastro é só água; o cálculo de esforços diz respeito à carga.
Correto: O lastro é peso, como a carga. Uma sequência de lastro errada pode exceder os esforços admissíveis no casco tão facilmente como uma sequência de carga errada.
5Caso prático e chaves de exame
Durante o carregamento, o deslastramento atrasa-se face ao ritmo previsto. O terminal quer continuar. As sondagens reais diferem das do instrumento de carga. O que fazes?
Ver a resposta
Avisa o imediato e providencia a redução ou paragem do carregamento. Atualiza o instrumento com sondagens reais e verifica a fase atual e as seguintes. Retoma apenas com ritmo e sequência que mantenham calado, estabilidade e esforços no casco dentro dos limites.
Chaves de exame
- Tanques parcialmente cheios reduzem o GM efetivo; opera poucos em simultâneo, em pares.
- D-2: viáveis ≥50 µm <10/m³; 10–<50 µm <10/mL. Prazo final: 8 set. 2024 para navios abrangidos; aplicam-se exceções e isenções.
- D-1: substituição de 95%; aceites 3 volumes por fluxo contínuo. B-4: normalmente ≥200 nm/≥200 m; alternativa ≥50 nm/≥200 m ou área designada. Omite substituições inseguras, regista o motivo e avisa a autoridade competente.
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