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Estabilidade prática em navios pequenos: carga, superfícies livres e caimento

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Caimento e calados num navio pequeno

1A lição em palavras simples

Numa frase

Lê os calados e verifica o caimento antes de largar. Respeita o calado permitido, usando apenas a tolerância certificada para água doce ou salobra, quando aplicável.

Ler as marcas

As marcas de calado à proa, à popa e frequentemente a meio-navio mostram a profundidade da quilha, ou do ponto de referência mais baixo, abaixo da linha de água. Os algarismos métricos têm 10 cm de altura e a base de cada um indica o respetivo calado. Lê ambos os bordos e calcula a média se houver banda; com ondulação, faz a média de várias leituras. O bordo livre mede-se da linha do convés para baixo, até à água.

Caimento

O caimento é o calado à popa menos o calado à proa. A maioria dos navios pequenos governa melhor ligeiramente apopada, com a popa mais funda: o hélice e o leme ficam bem imersos e a proa sobe à vaga. Caimento excessivo à proa pode levar o navio a embarcar água e dificultar o governo, aumentando o risco de atravessar à vaga, ficando de través para as ondas, com mar de popa. Mantém o caimento nos limites do caderno.

Como a carga altera o caimento

O centro de flutuação (LCF) é o ponto em torno do qual varia o caimento. MCTC é o momento necessário para alterar o caimento em 1 cm, em t·m/cm. Variação de caimento (cm) = w × d ÷ MCTC. Aqui, w é o peso em toneladas. Numa transferência, d é a distância percorrida no sentido longitudinal. Para peso embarcado ou desembarcado, d é a distância ao LCF. Usa metros. Embarcar peso também altera o calado médio. A unidade sobre caimento aborda o cálculo completo.

Pescado, combustível e gelo

Em muitos navios de pesca, o porão fica à vante da casa das máquinas, pelo que o navio ganha caimento à proa à medida que o porão enche. Consumir combustível dos tanques de ré tem o mesmo efeito. O gelo acumula-se primeiro à proa, onde batem os borrifos. Planeia a ordem de enchimento dos porões e de uso dos tanques para manter o caimento nos limites do caderno.

Bordo livre e linha de carga

A linha de carga marca o nível de carga permitido. Verifica a linha aplicável em ambos os bordos. Não excedas o calado permitido nem fiques abaixo do bordo livre exigido; usa apenas a tolerância certificada para água doce ou salobra, quando aplicável. Em água doce ou salobra o navio fica mais imerso. Consulta o certificado e o caderno antes de largar.

2Passo a passo

Exemplo resolvido: deslocar pescado para ré

  1. 1

    Dados: MCTC 9 t·m/cm. Deslocam-se 10 t de pescado em caixas 20 m para ré, do porão de vante para o de ré.

    Usa o MCTC do caderno para o teu calado.

  2. 2

    Momento de caimento = 10 × 20 = 200 t·m à popa.

    Peso vezes a distância percorrida.

  3. 3

    Variação de caimento = 200 ÷ 9 = 22 cm à popa.

    É a variação da diferença entre os calados à popa e à proa; volta a ler as marcas reais.

3Dados-chave

Caimento
Calado à popa − calado à proa
Variação de caimento (cm)
w × d ÷ MCTC
Algarismos métricos
10 cm de altura; base do algarismo = calado
Melhor caimento
Geralmente ligeiramente apopado: consulta o caderno

4Pontos-chave

  1. 1

    Antes de largar, lê os calados em ambos os bordos, à proa, à popa e a meio-navio.

  2. 2

    Caimento = popa − proa; ligeiramente apopado é geralmente melhor.

  3. 3

    Variação de caimento (cm) = w × d ÷ MCTC.

  4. 4

    Respeita os limites de calado e bordo livre; usa apenas a tolerância certificada para água doce ou salobra, quando aplicável.

5Erros frequentes

  • Erro: Caimento à proa é inofensivo se os calados estiverem nos limites.

    Correto: Caimento excessivo à proa pode prejudicar o governo e aumentar o risco de atravessar à vaga. Mantém o caimento nos limites do caderno e avalia a travessia com mar de popa.

  • Erro: Basta ler um bordo.

    Correto: Com banda, um bordo indica maior calado. Lê ambos e calcula a média.

6Caso prático e chaves de exame

Situação

Após uma boa viagem, o teu arrastão de 24 m apresenta 0,40 m de caimento à proa. O combustível foi consumido dos tanques de ré. A previsão para o regresso é de mar de popa.

Ver a resposta

Consulta o caderno antes de corrigir o caimento à proa. Prefere uma transferência ou deslocação de peso para ré permitida; numa deslocação, usa a distância percorrida em w × d ÷ MCTC. Se acrescentares lastro à ré, usa a distância ao LCF e verifica o aumento do calado, o bordo livre e as superfícies livres. Segue a sequência aprovada de tanques e reavalia o caimento, a estabilidade e a travessia com mar de popa.

Chaves de exame

  • Caimento = calado à popa − calado à proa.
  • Variação de caimento (cm) = w × d ÷ MCTC. Numa deslocação, d é a distância percorrida; para peso embarcado ou desembarcado, é a distância ao LCF.
  • Verifica os calados e o bordo livre a meio-navio em ambos os bordos antes de largar.

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