Ver unidadesSegurança pessoal, responsabilidades sociais e prevenção da violência e do assédio (STCW A-VI/1-4)
Práticas de trabalho seguro, risco e equipamento de proteção
1A lição em palavras simples
Num navio tens máquinas pesadas, altura, intempérie e um convés em movimento. Hábitos seguros, uma avaliação rápida do risco e proteção adequada mantêm-te seguro.
Porque importa
Um navio mercante é fábrica, hotel e veículo ao mesmo tempo. Os perigos (tudo o que te pode magoar) estão por todo o lado: máquinas em movimento, cabos de aço e de fibra sob tensão, conveses escorregadios e em movimento, mau tempo, superfícies quentes, eletricidade, químicos, ruído e trabalho em altura. A maioria dos acidentes ocorre em tarefas correntes, não em emergências. Por isso, a Convenção Internacional sobre Normas de Formação, de Certificação e de Serviço de Quartos para os Marítimos (STCW) exige sempre práticas de trabalho seguro. A componente prática desta formação básica decorre no teu curso aprovado; estas lições dão-te os conhecimentos que a sustentam.
Avaliação do risco
Uma avaliação do risco faz três perguntas simples: o que pode correr mal, qual a probabilidade e qual a gravidade? Depois define medidas de controlo que reduzem o risco, como isolar uma máquina, usar outra ferramenta ou acrescentar uma segunda pessoa. Antes de começar, a equipa reúne-se no local para uma reunião de segurança prévia: uma breve explicação da tarefa, perigos, medidas, responsabilidades e forma de parar o trabalho.
Parar o trabalho
Qualquer pessoa a bordo tem o direito e o dever de parar o trabalho se vir um perigo não controlado, seja qual for a sua categoria. Diz claramente para parar, coloca o trabalho em segurança e avisa o responsável. Uma boa companhia apoia-te nesta decisão. Os navios gerem a segurança através de um sistema de gestão da segurança (SGS), ao abrigo do Código Internacional de Gestão para a Segurança da Exploração dos Navios e para a Prevenção da Poluição (Código ISM). Os códigos nacionais de práticas de trabalho seguro acrescentam regras práticas.
Equipamento de proteção
O equipamento de proteção individual (EPI) protege dos riscos que subsistem após outras medidas. Usa capacete onde possam cair objetos, calçado de segurança com biqueira de proteção, luvas adequadas e óculos contra partículas ou salpicos; acrescenta uma viseira quando necessário. Usa protetores auditivos em locais ruidosos e fato de trabalho ajustado. O trabalho em altura ou fora da borda exige também um arnês de segurança preso a um ponto resistente e, fora da borda, um colete salva-vidas operacional. O EPI deve servir-te e estar em bom estado.
Comunica
Comunica todos os perigos, acidentes e quase-acidentes (ocorrências que poderiam ter magoado alguém, mas não magoaram). Os quase-acidentes são lições gratuitas: se a chave que caiu não te atingiu hoje, pode atingir a próxima pessoa. Comunica-os ao oficial responsável e regista-os no SGS para corrigir a causa.
2Dados-chave
- Base STCW
- Regra VI/1; quadro A-VI/1-4 do Código, segurança pessoal
- Risco
- Probabilidade × gravidade
- EPI
- Última linha de defesa, após outras medidas
- Direito de parar
- Qualquer pessoa a bordo, seja qual for a categoria
3Pontos-chave
- 1
A maioria dos acidentes ocorre em trabalho corrente; as práticas seguras aplicam-se sempre.
- 2
A avaliação do risco pergunta o que pode correr mal, com que probabilidade e gravidade, e define medidas.
- 3
A reunião prévia no local aborda a tarefa, perigos, medidas, funções e como parar.
- 4
Qualquer pessoa pode parar trabalho inseguro. Comunica perigos, acidentes e quase-acidentes.
- 5
O EPI é a última linha de defesa: deve servir-te e estar em bom estado.
4Erros frequentes
Erro: O EPI torna qualquer tarefa segura, por isso posso dispensar outras precauções.
Correto: O EPI protege dos riscos que subsistem após outras medidas. Primeiro, isola, instala resguardos e planeia a tarefa.
Erro: Não vale a pena comunicar um quase-acidente, pois ninguém se magoou.
Correto: Um quase-acidente revela um perigo que poderia magoar alguém. Comunica-o para permitir corrigir a causa.
Erro: Só os oficiais podem parar uma tarefa.
Correto: Qualquer tripulante que veja um perigo não controlado pode e deve parar o trabalho.
5Caso prático e chaves de exame
Estás a picar ferrugem com um martelo pneumático. Falta-te proteção ocular e auditiva. Uma grua começa a transportar provisões mesmo por cima da tua zona de trabalho.
Ver a resposta
Para de picar e afasta-te da carga suspensa. Avisa o contramestre (responsável pela equipa do convés) da falta de proteção e da carga que atravessa a tua zona. Só retomes com proteção ocular e auditiva adequada e após o responsável confirmar que o local está separado em segurança da operação de elevação.
Chaves de exame
- As práticas de trabalho seguro aplicam-se sempre; a maioria dos acidentes ocorre em tarefas correntes.
- Avaliação do risco: o que pode correr mal, probabilidade, gravidade e medidas.
- Reunião de segurança antes do trabalho; qualquer pessoa pode parar trabalho inseguro.
- O EPI é a última linha de defesa; comunica perigos e quase-acidentes.
Termina esta unidade
Quando a tiveres lido, responde a três perguntas. Acerta as três para concluir a unidade; só abrir a página não conta.
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