O duplo fundo, a antepara de colisão e as extremidades reforçadas
1A lição em palavras simples
O duplo fundo e a antepara de colisão limitam o alagamento se permanecerem intactos. Reforços adicionais ajudam as extremidades a resistir à pulsação das chapas e às pancadas do mar.
O duplo fundo
O duplo fundo tem uma segunda superfície estanque, o fundo interior ou teto do duplo fundo, acima das chapas do fundo exterior. Se o fundo interior ficar intacto, os danos de um encalhe podem deixar o alagamento confinado entre as duas superfícies. Os tanques contêm lastro, combustível ou água doce. A SOLAS II-1/9 estabelece requisitos para navios de passageiros e de carga, exceto petroleiros. A altura é pelo menos B/20, sendo B a boca, nunca inferior a 760 mm, mas não precisa de exceder 2 m.
Dentro do duplo fundo
O espaço entre as duas superfícies é dividido por hastilhas, chapas transversais do fundo distintas das cavernas ou balizas do costado, e carlingas longitudinais, com a carlinga central na linha de centro. As hastilhas cheias têm aberturas para acesso e redução de peso. As hastilhas estanques fecham as extremidades dos tanques. Alguns navios têm uma quilha em túnel, um túnel central para tubagens. Estes tanques são espaços fechados: entra apenas com autorização de entrada.
A antepara de colisão
A antepara de colisão é a antepara estanque mais a vante. Nos navios de carga, chega ao convés de bordo livre, a partir do qual se mede o bordo livre; nos de passageiros, ao convés das anteparas. Nos navios de carga, fica normalmente entre 0,05L ou 10 m (o menor) e 0,08L ou 0,05L + 3 m (o maior), para ré da perpendicular de vante. L é o comprimento definido na SOLAS. Proas salientes têm regras de referência próprias: consulta o plano aprovado. Uma antepara intacta limita o alagamento por danos na proa.
Aberturas na antepara de colisão
Não são permitidas portas, portas de visita ou aberturas de ventilação abaixo do convés aplicável. Normalmente pode atravessá-la uma tubagem de líquidos do pique de vante, com a válvula de seccionamento exigida, manobrável de cima desse convés. Podem ser aprovadas duas tubagens para um pique dividido com líquidos diferentes. Os requisitos variam entre navios de passageiros e de carga; segue a SOLAS II-1/12 e a disposição aprovada.
Pulsação e pancadas do mar
Durante o cabeceio, a pressão variável da água faz as chapas da proa fletir para dentro e para fora: pulsação. Vaus de reforço, escoas laterais e curvas de proa (chapas horizontais na proa) reforçam o pique de vante contra esse efeito. Quando a proa sai da água e volta a cair, o fundo plano de vante sofre pancadas do mar, ou slamming, pelo que recebe chapas mais grossas e reforços mais próximos. Se houver pancadas, reduz a velocidade ou altera o rumo: os danos acumulam-se a cada impacto.
A popa
A antepara do pique de ré forma um limite estanque perto da popa. A buzina, por onde o veio do hélice sai do casco, tem um compartimento estanque, que não é necessariamente o tanque do pique de ré: consulta o plano aprovado. O cadaste ou um suporte fixo do leme (rudder horn), fundido e ligado ao casco, apoia o leme e resiste à vibração do hélice. Este suporte é distinto da cana, que transmite o movimento de governo. O pique de ré é geralmente um tanque de lastro, reforçado contra a pulsação.
2Dados-chave
- Altura do duplo fundo (SOLAS II-1/9)
- B/20, pelo menos 760 mm, sem necessidade de exceder 2 000 mm
- Antepara de colisão, navio de carga (comprimento SOLAS L)
- De 0,05L ou 10 m (menor) a 0,08L ou 0,05L + 3 m (maior)
- Referência de medição
- Normalmente a perpendicular de vante; há regras próprias para certas proas
- Aberturas abaixo do convés exigido
- Normalmente uma tubagem de líquidos do pique de vante; há exceções aprovadas
3Pontos-chave
- 1
Um fundo interior intacto pode confinar o alagamento após encalhe; os tanques do duplo fundo contêm lastro e combustível.
- 2
Uma antepara de colisão intacta limita o alagamento da proa; sem portas ou portas de visita abaixo do convés estanque exigido.
- 3
Vaus de reforço, escoas e curvas de proa resistem à pulsação; o fundo de vante mais espesso resiste às pancadas do mar.
- 4
Reduz a velocidade ou altera o rumo se houver pancadas do mar; os danos acumulam-se.
4Erros frequentes
Erro: Uma porta de visita na antepara de colisão é aceitável se estiver bem aparafusada.
Correto: Portas, portas de visita e aberturas de ventilação são proibidas abaixo do convés aplicável. A tubagem do pique de vante deve seguir a disposição aprovada segundo a SOLAS.
Erro: O slamming só causa desconforto; a estrutura foi concebida para isso.
Correto: Pancadas repetidas podem encurvar o fundo de vante. Reduz a velocidade ou muda o rumo até cessarem.
5Caso prático e chaves de exame
O teu navio de carga geral, carregado, avança a toda a velocidade contra vagas curtas e cavadas. A proa sai da água e cai com fortes estremecimentos a cada poucas vagas. O comandante pergunta o que acontece à estrutura.
Ver a resposta
São pancadas do mar, ou slamming. Cada impacto carrega o fundo plano de vante e pode amolgar as chapas ou encurvar os reforços. O estremecimento (vibração de chicote) também solicita a viga-navio. Reduz a velocidade e, se necessário, altera o rumo para a proa deixar de sair da água. Depois, inspeciona o pique de vante e os tanques de vante do duplo fundo, procurando mossas, fissuras e fugas, e comunica os danos.
Chaves de exame
- Duplo fundo: função, elementos (hastilhas, carlingas, quilha em túnel) e altura mínima B/20, pelo menos 760 mm.
- Posição da antepara de colisão e regra sobre aberturas.
- Pulsação e pancadas do mar: onde ocorrem, causas e reforços contra cada efeito.
- Antepara do pique de ré e compartimento estanque da buzina.
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