Apagão no mar: primeiros minutos e recuperação
1A lição em palavras simples
Num apagão, o navio fica às escuras e em silêncio e começa a perder seguimento. Mantém o governo enquanto possível, avisa os outros e deixa as máquinas repor a energia por etapas.
Como se manifesta um apagão
Quando a alimentação principal falha, podem parar luzes, auxiliares e bombas do governo alimentadas pelo quadro principal; a propulsão pode desligar-se. A fonte de emergência alimenta serviços de segurança designados. A alimentação alternativa do governo, quando exigida, pode vir dessa fonte ou de outra independente. Verifica o que funciona. Uma fonte de alimentação ininterrupta (UPS) ou bateria só mantém sem interrupção os equipamentos que lhe estão ligados. Verifica ecrãs, sensores e comunicações. A reserva do VDR pode gravar o áudio da ponte sem registar todos os sensores.
O que o navio ainda consegue fazer
Se o governo continuar disponível, usa o seguimento restante, ou seja, o movimento através da água, para te afastares do tráfego e dos perigos. A proa e a deriva dependem do navio, do vento e do mar; não pressuponhas que ficará atravessado ao mar. Determina rapidamente a profundidade, a distância ao perigo e a velocidade de deriva. Avalia se podes fundear, considerando os limites do equipamento, as condições de unhar do ferro e a profundidade.
Reposição da energia
Os oficiais de máquinas recuperam um gerador principal, voltam a ligar serviços essenciais e arrancam a propulsão segundo o procedimento de recuperação de apagão do navio. Confirma o governo o mais cedo possível. Repõe as cargas por etapas, dentro da capacidade disponível. Não peças toda a potência ou o propulsor de proa logo que as luzes regressem: uma grande carga pode causar novo apagão. Combina com o chefe de máquinas o que terás disponível e quando.
Prevenção
Muitos apagões começam no combustível: filtros sujos, água no combustível ou mudança para combustível regulamentar de baixo teor de enxofre numa zona de controlo de emissões. Outros resultam de sobrecarga durante manobras ou de um interruptor mal acionado. Termina as mudanças de combustível muito antes do limite da zona ou da estação de pilotos. Assegura a capacidade de geração e a prontidão da reserva exigidas pelos procedimentos de manobra do navio e testa os arranques de reserva conforme o plano.
2Passo a passo
Apagão: primeiros minutos na ponte
- 1
Verifica se há alimentação do governo. Confirma a fonte alternativa instalada no navio e usa a lista de verificação aprovada para recuperar o comando.
O seguimento restante só ajuda a governar se houver comando e alimentação do aparelho de governo.
- 2
Chama o comandante e a casa das máquinas; anota a hora e a posição.
As máquinas precisam de atuar imediatamente, e o registo será importante mais tarde.
- 3
Se a avaria impedir a manobra exigida pelo Regulamento Internacional para Evitar Abalroamentos no Mar (RIEAM/COLREG), mostra os sinais de navio desgovernado (NUC) e ajusta o estado no sistema de identificação automática (AIS).
O estado NUC depende da perda de capacidade de manobra, não apenas do apagão.
- 4
Avisa os navios próximos e o VTS por rádio de frequência muito elevada (VHF); usa tráfego de urgência ou socorro, conforme a situação.
Um aviso precoce dá aos outros tempo para se afastarem.
- 5
Avalia profundidade, deriva e perigos; prepara os ferros se a profundidade, os limites do equipamento e as condições de unhar o permitirem.
Uma opção de fundear adequada pode evitar o encalhe; a profundidade, por si só, não basta.
- 6
Coordena com as máquinas a reposição por etapas segundo o procedimento do navio; preserva os dados do VDR.
Aplicar cargas precipitadamente pode causar outro apagão; os dados mostram o que aconteceu.
3Pontos-chave
- 1
A energia de emergência alimenta serviços designados; confirma a disponibilidade do governo e dos equipamentos de navegação.
- 2
Se houver governo, usa o seguimento restante; avalia deriva, profundidade, perigos e possibilidade de fundear.
- 3
Se não conseguires manobrar conforme o RIEAM, mostra sinais NUC; avisa os outros e avalia a possibilidade de fundear.
- 4
Repõe as cargas por ordem com as máquinas; aplicá-las precipitadamente causa novo apagão.
4Erros frequentes
Erro: Espera pelo motor antes de avisar alguém, pois voltará a funcionar em poucos minutos.
Correto: Avisa imediatamente os navios próximos e o VTS. Se a energia demorar, eles já estarão a manter-se afastados.
Erro: Pede Full ahead (toda a força avante) assim que as luzes regressem.
Correto: Espera até as máquinas confirmarem que a instalação está pronta. Carregar um gerador demasiado depressa pode provocar novo apagão.
5Caso prático e chaves de exame
Num corredor de tráfego costeiro, a 12 nós, o navio sofre um apagão. O gerador de emergência arranca. A costa fica a 4 milhas a sotavento, a profundidade é de 40 m, o vento é de força 6 para terra e um navio está a ultrapassar-te, a 1 milha pela popa. O que fazes?
Ver a resposta
Confirma a alimentação do governo; se disponível, usa o seguimento restante para águas consideradas seguras, verificando o tráfego. Chama o comandante e as máquinas. Se não conseguires manobrar conforme exigido, mostra sinais NUC e ajusta o AIS. Avisa o navio que te ultrapassa e o VTS; usa tráfego de urgência ou socorro conforme necessário. Avalia a deriva; prepara os ferros se a profundidade, os limites do equipamento e as condições de unhar o permitirem. Coordena a recuperação e preserva os dados do VDR.
Chaves de exame
- O que se perde e o que a fonte de emergência mantém num apagão.
- Primeiras ações na ponte: confirmar governo, chamar, avaliar estado NUC, avisar, avaliar deriva e possibilidade de fundear.
- Reposição dos serviços essenciais e da propulsão por etapas, conforme o procedimento do navio.
- Causas comuns: mudança de combustível, sobrecarga e filtros.
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