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Peação da carga e noções de mercadorias perigosas (Códigos CSS e IMDG)

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Granéis sólidos e cereais: grupos IMSBC, TML e Código dos Cereais

1A lição em palavras simples

Numa frase

A carga a granel pode liquefazer-se, reagir ou deslocar-se. O Código IMSBC divide-a nos grupos A, B e C; o Código dos Cereais define a estabilidade que um navio cerealífero deve manter.

O Código IMSBC

O Código Marítimo Internacional para o Transporte de Cargas Sólidas a Granel (IMSBC), obrigatório pela SOLAS, dá uma ficha para cada carga a granel identificada: perigos, estiva, segregação e precauções de carregamento. Antes de carregar, o carregador deve fornecer ao comandante informações escritas sobre a carga, incluindo o teor de humidade e o limite de humidade admissível para transporte (TML), quando aplicáveis.

Grupos A, B e C

As cargas do Grupo A podem liquefazer-se ou sofrer separação dinâmica acima do seu TML. Na separação dinâmica, a água e as partículas finas formam uma lama sobre a carga mais densa; o seu movimento pode desestabilizar o navio. Alguns finos minerais são exemplos. As cargas do Grupo B têm perigos químicos, como autoaquecimento ou libertação de gases. As do Grupo C não são A nem B, mas podem ser densas ou deslocar-se. Algumas cargas são simultaneamente A e B.

Liquefação

O movimento pode aumentar a pressão da água entre os grãos da carga húmida até esta perder resistência e escoar, com risco de soçobramento. O teor de humidade de escoamento (flow moisture point, FMP) é o teor de humidade a que ocorre escoamento num ensaio laboratorial prescrito. O TML é a humidade máxima permitida para transporte normal; nos ensaios de mesa de fluidez e penetração, é 90 % do FMP. Exige humidade certificada inferior ao TML. O ensaio da lata submete uma amostra a impactos para detetar água livre ou escoamento: é um alerta, nunca prova de humidade segura.

Cereais

Os cereais podem deslocar-se mesmo num porão cheio. O Código Internacional para o Transporte Seguro de Cereais a Granel exige normalmente um documento de autorização e informações aprovadas de carregamento de cereais. Durante toda a viagem, a GM (altura metacêntrica) deve ser pelo menos 0,30 m, após correção pelo movimento dos líquidos em tanques parcialmente cheios (superfície livre). O adornamento devido ao deslocamento presumido dos cereais não deve exceder 12°; em navios construídos a partir de 1 de janeiro de 1994, usa o ângulo de imersão da aresta do convés se for menor.

Estabilidade residual

A área residual entre as curvas do braço de endireitamento (GZ) e do braço inclinante dos cereais deve ser pelo menos 0,075 m·rad. Mede-a desde o adornamento de equilíbrio até ao menor de 40°, o ângulo de alagamento (entrada de água por aberturas desprotegidas) ou o ângulo de diferença máxima entre as curvas. Aplica este critério durante toda a viagem com as informações aprovadas de carregamento de cereais.

2Dados-chave

Grupo A
Pode liquefazer-se ou sofrer separação dinâmica acima do TML
Grupo B
Perigo químico
Grupo C
Nem Grupo A nem Grupo B
TML
Ensaios de mesa de fluidez/penetração: TML = 90 % do FMP
Cereais: adornamento por deslocamento
≤ 12°; construção desde 1 jan. 1994: imersão da aresta do convés se menor
Cereais: área e GM
Área até ao limite do Código ≥ 0,075 m·rad; GM corrigida ≥ 0,30 m

3Pontos-chave

  1. 1

    Usa a ficha IMSBC aplicável e as informações do carregador; exige certificados de humidade/TML quando aplicáveis.

  2. 2

    A: liquefação ou separação dinâmica; B: perigos químicos; C: nem A nem B. Algumas cargas são A e B.

  3. 3

    A liquefação pode causar forte adornamento ou soçobramento; o ensaio da lata não certifica uma carga segura.

  4. 4

    Cereais: GM corrigida ≥ 0,30 m; adornamento ≤ 12° (navios construídos desde 1 jan. 1994: imersão da aresta do convés se menor).

  5. 5

    Cereais: área ≥ 0,075 m·rad até ao ângulo limite do Código; leva autorização e informações aprovadas de carregamento.

4Erros frequentes

  • Erro: A carga parece seca à superfície, por isso não pode liquefazer-se.

    Correto: Uma carga do Grupo A pode parecer seca e estar acima do TML. Baseia-te no teor de humidade certificado e considera um resultado desfavorável no ensaio da lata como sinal para parar.

  • Erro: Os cereais não podem deslocar-se num porão cheio.

    Correto: Os cereais assentam e deixam um vazio sob a escotilha e o convés. O Código dos Cereais pressupõe deslocamento mesmo em compartimentos cheios.

5Caso prático e chaves de exame

Situação

Estás a carregar minério de níquel, carga do Grupo A. Choveu muito na pilha em terra desde o ensaio de humidade do carregador. Um ensaio da lata no convés deixa uma superfície húmida, brilhante e com água por cima. O que fazes?

Ver a resposta

Para o carregamento e informa o comandante. A água livre é um alerta; o ensaio da lata não mede FMP nem TML. Pede amostragem representativa e novos ensaios laboratoriais de humidade após a chuva. O comandante pode recusar a carga. Não retomes até o teor de humidade certificado ser inferior ao TML; mantém os porões fechados durante a chuva.

Chaves de exame

  • Grupos IMSBC: A liquefação ou separação dinâmica; B perigos químicos; C nem A nem B.
  • Nos ensaios de mesa de fluidez e penetração, TML = 90 % do FMP; a humidade certificada deve ser inferior ao TML. O ensaio da lata não certifica humidade segura.
  • Cereais: GM corrigida ≥ 0,30 m; adornamento ≤ 12° (construção desde 1 jan. 1994: imersão da aresta do convés se menor). Área residual ≥ 0,075 m·rad desde o equilíbrio até ao menor de 40°, alagamento ou diferença máxima dos braços.

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