Ver unidadesCuidados médicos a bordo: tratamento, cuidados de enfermagem e falecimento no mar (STCW A-VI/4-2)
Morte no mar: confirmar, registar e cuidar do corpo
1A lição em palavras simples
Uma morte a bordo tem uma dimensão médica, legal e humana. Confirma-a com o médico, preserva as provas, cuida do corpo e informa quem tem de saber.
Confirmar a morte
Pede ao médico via rádio que oriente a avaliação de uma possível morte. A ausência de respiração, pulso ou reação pupilar, por si só, não confirma morte irreversível. Se houver dúvida sobre sinais de vida, segue a tua formação de primeiros socorros e pede aconselhamento imediato; não esperes vários minutos por sinais. Imersão em água fria, sobredosagem e choque elétrico podem dar aparência de morte. A hipóstase é a coloração arroxeada das zonas mais baixas; a rigidez cadavérica é o enrijecimento após a morte. Comunica achados e horas com rigor. A certificação formal segue as exigências do Estado de bandeira.
Registos e provas
Regista data, hora e posição da morte, o que aconteceu, o tratamento dado e todo o aconselhamento médico via rádio. Num acidente, suspeita de suicídio ou morte sem explicação, mantém o local intacto se possível, fotografa o corpo como foi encontrado, guarda notas, cartas, medicamentos e equipamento e recolhe prontamente depoimentos assinados. Inscreve a morte no diário oficial de bordo. Pode seguir-se uma autópsia em terra.
Cuidados com o corpo
Usa luvas e avental. Salvo morte suspeita, fecha os olhos e a boca, endireita os membros, lava e seca o corpo e coloca uma etiqueta de identificação. Envolve-o num lençol e depois num saco mortuário estanque, identificado no exterior. Numa morte suspeita, altera o mínimo possível e segue as indicações da companhia e das autoridades.
Conservação
Mantém o corpo refrigerado a cerca de 4 °C num espaço frigorífico próprio, nunca abaixo de 2 °C e nunca congelado: a congelação danifica os tecidos e pode comprometer um exame posterior. A refrigeração é adequada até cerca de dois meses; para mais tempo, pede orientação à companhia e à seguradora de proteção e indemnização (P&I). Sempre que possível, conserva o corpo para exame e sepultamento em terra. O sepultamento no mar é o último recurso, só conforme autorizado pelo Estado de bandeira e pela companhia.
Comunicações e pertences
Informa a companhia, que normalmente contacta os familiares mais próximos, o Estado de bandeira conforme exigido, a seguradora P&I e, pelo agente, as autoridades do próximo porto e o cônsul. Declara mortes não acidentais na Declaração Marítima de Saúde; comunica todas as mortes pelos canais exigidos. Inventaria os pertences com uma testemunha, sela-os, guarda-os e obtém recibo na entrega. Uma morte afeta todos: oferece apoio à tripulação e a assistência social da companhia.
2Dados-chave
- Confirmação
- Médico via rádio orienta a avaliação; certificação segundo regras da bandeira
- Cuidado
- Frio, sobredosagem ou choque elétrico: podem dar aparência de morte
- Provas
- Fotografias como encontrado, notas, depoimentos, registos de aconselhamento
- Conservação
- Cerca de 4 °C, nunca abaixo de 2 °C, nunca congelado
- Conservação refrigerada
- Até cerca de dois meses; mais tempo: orientação da companhia e P&I
- Pertences
- Inventariar com testemunha, selar, entregar contra recibo
3Pontos-chave
- 1
Pede ao médico via rádio que oriente a avaliação; a certificação segue as regras da bandeira. Frio, sobredosagem e choque elétrico podem enganar.
- 2
Numa morte sem explicação, preserva o local, fotografa e guarda as provas.
- 3
Conserva o corpo a cerca de 4 °C, refrigerado, nunca congelado.
- 4
Informa as autoridades exigidas e a companhia; declara mortes não acidentais na DMS.
- 5
Lista os pertences com uma testemunha e entrega-os contra recibo.
4Erros frequentes
Erro: Congelar o corpo para o conservar melhor.
Correto: A congelação danifica os tecidos e dificulta a autópsia. Refrigera a cerca de 4 °C.
Erro: Arrumar o camarote antes da chegada das autoridades.
Correto: Numa morte sem explicação, deixa-o como foi encontrado, fotografa-o e fecha-o à chave.
Erro: Sepultar o corpo no mar para poupar sofrimento à tripulação.
Correto: Conserva-o para exame e sepultamento em terra sempre que possível; sepultamento no mar só conforme autorizado pelo Estado de bandeira e pela companhia.
5Caso prático e chaves de exame
Em pleno oceano, a 9 dias do porto, um tripulante é encontrado de manhã sem reação no camarote. Não há sinais de violência; está no chão uma embalagem de medicamento vazia. O que fazes?
Ver a resposta
Segue a tua formação de primeiros socorros e contacta imediatamente o médico via rádio. Não pressuponhas que uma sobredosagem é fatal. Se a morte for confirmada, preserva o local, fotografias, depoimentos e registos. Regista achados, horas, posição, tratamento e aconselhamento. Avisa a companhia e as autoridades exigidas. Segue as suas instruções sobre provas e manuseamento do corpo; refrigera a cerca de 4 °C, sem congelar, para exame em terra. A certificação formal segue as exigências do Estado de bandeira.
Chaves de exame
- Médico via rádio orienta a avaliação; só a ausência de respiração, pulso ou reação pupilar não basta. Certificação segundo regras da bandeira.
- Morte sem explicação: preservar o local, fotografar, guardar provas, recolher depoimentos, registar.
- Corpo: refrigerado a cerca de 4 °C, nunca congelado; até cerca de dois meses.
- Informar companhia, Estado de bandeira, P&I, próximo porto, cônsul; pertences listados com testemunha.
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