Ver unidadesPrimeiros socorros médicos (STCW A-VI/4-1): exame da vítima, riscos tóxicos (MFAG) e o guia médico de bordo
Hipotermia, imersão e cuidados às pessoas resgatadas
1A lição em palavras simples
Como oficial, medes, classificas e vigias a vítima com frio, evitas danos no reaquecimento e cuidas dos sobreviventes resgatados do mar.
O que acrescentas aqui
Choque pelo frio, flutuar para sobreviver e reaquecimento básico são ensinados em Hipotermia, imersão em água fria, afogamento e doenças pelo calor. Aqui acrescentas a temperatura central, no interior do corpo. Usa um termómetro de leitura baixa concebido para a medir, seguindo o método e local de medição aprovados. Uma escala baixa não basta: medições na pele ou com termómetros comuns da testa não são fiáveis numa vítima fria. Regista valor, hora e local. Não atrases cuidados para obter a medição.
Graus
Pela temperatura central: ligeira, de 32 a menos de 35 °C; moderada, de 28 a menos de 32 °C; grave, abaixo de 28 °C. Os sinais típicos evoluem de tremores e falta de coordenação para confusão e tremores mais fracos, até inconsciência com pulso e respiração muito lentos. Variam e não permitem prever com segurança a temperatura central. Sem medição, comunica ao médico por rádio consciência, tremores e sinais vitais.
Reaquecer sem causar danos
A queda térmica pós-resgate é uma descida adicional da temperatura central quando sangue frio regressa dos membros. Mantém a vítima deitada, imóvel e horizontal; não esfregues os membros nem a ponhas num duche quente. Ligeira: roupa seca, isolamento e bebidas quentes açucaradas se totalmente alerta. Moderada ou grave: isola, coloca bolsas térmicas envolvidas em tecido no tórax, axilas e costas e pede aconselhamento médico urgente por rádio. Os casos graves exigem hospital; continua a aquecer suavemente enquanto se organiza a evacuação.
Paragem cardíaca no frio
Um coração frio é irritável: movimentos bruscos podem provocar paragem cardíaca. Verifica respiração e pulso até um minuto numa vítima muito fria que não responde. Sem sinais de vida, inicia RCP e usa o desfibrilhador automático externo (DAE). O frio pode proteger o cérebro: não pares só porque a RCP já dura há muito. Continua até regressarem sinais de vida, outros socorristas assumirem a RCP, ser inseguro ou impossível continuar ou o médico por rádio aconselhar parar.
Sobreviventes do mar
As pessoas resgatadas, da água ou de uma jangada salva-vidas, podem ter hipotermia, desidratação, queimaduras solares, feridas pela água salgada, lesões dos pés pelo frio, traumatismos e água do mar inalada. Examina cada uma completamente e regista sinais vitais e temperatura. Dá líquidos por via oral devagar se estiverem alerta e manuseia os pés frios suavemente. Quem inalou água precisa de aconselhamento médico por rádio mesmo que esteja bem. Conta com choque, luto e medo: mantém a calma, informa e mantém os companheiros juntos.
2Dados-chave
- Termómetro
- De leitura baixa, concebido para medir a temperatura central
- Ligeira
- 32 a menos de 35 °C; geralmente com tremores, alerta, descoordenado
- Moderada
- 28 a menos de 32 °C; comum: confusão, tremores fracos ou ausentes
- Grave
- Abaixo de 28 °C; comum: inconsciência, pulso e respiração lentos
- Verificar a respiração
- Até 1 minuto numa vítima muito fria
- Queda térmica pós-resgate
- A temperatura central continua a cair: deitado, imóvel, isolado
3Pontos-chave
- 1
Usa termómetro de leitura baixa adequado à temperatura central; regista valor, hora e local.
- 2
Classifica pela temperatura central; sem ela, comunica consciência, tremores e sinais vitais. Os sinais variam.
- 3
Manuseia suavemente e na horizontal: movimentos bruscos podem provocar paragem cardíaca.
- 4
Não pares só pela longa duração da RCP; segue os critérios habituais de paragem e o conselho médico por rádio.
- 5
Examina completamente cada pessoa resgatada; inalação de água exige sempre aconselhamento médico por rádio.
4Erros frequentes
Erro: Pôr um sobrevivente frio e sonolento num duche quente para aquecer depressa.
Correto: Aquecer rapidamente a superfície pode fazer cair muito a pressão arterial. Isola, usa bolsas térmicas envolvidas em tecido e pede aconselhamento.
Erro: Um sobrevivente que deixa de tremer está a aquecer.
Correto: Deixar de tremer ainda frio e sonolento alerta para agravamento da hipotermia. Pede conselho urgente; os sinais, por si só, não indicam a temperatura central com segurança.
Erro: Parar a RCP numa vítima fria após 20 minutos.
Correto: Não pares só pela longa duração da RCP; segue os critérios habituais de paragem e o conselho médico por rádio.
5Caso prático e chaves de exame
A tua embarcação de salvamento recolhe um pescador que esteve em água a 12 °C cerca de 50 minutos. Está sonolento, murmura as respostas e já não treme. A temperatura central é 30 °C. O que fazes?
Ver a resposta
É hipotermia moderada. Mantém-no horizontal e imóvel: transporta-o, nunca o deixes andar. Corta a roupa molhada, isola-o com cobertores e uma cobertura impermeável ao vento e à água e coloca bolsas térmicas envolvidas em tecido no tórax, axilas e costas. Nada pela boca, pois não está totalmente alerta. Vigia respiração, pulso e temperatura, mantém o DAE pronto e pede aconselhamento médico urgente por rádio: precisa de reaquecimento hospitalar, pelo que a evacuação é provável.
Chaves de exame
- Graus: ligeira 32 a menos de 35 °C; moderada 28 a menos de 32 °C; grave abaixo de 28 °C. Os sinais clínicos variam.
- Queda térmica pós-resgate: mantém a vítima deitada, imóvel e isolada; não esfregues nem uses duche quente.
- Hipotermia grave: verifica respiração até 1 minuto; inicia RCP sem sinais de vida. Segue os critérios habituais de paragem e o conselho por rádio.
- Pessoas resgatadas: exame completo; inalação de água exige aconselhamento médico por rádio.
Termina esta unidade
Quando a tiveres lido, responde a três perguntas. Acerta as três para concluir a unidade; só abrir a página não conta.
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